O Próximo Presidente dos EUA: Donald J. Trump. E Agora?

por Sergio Azeredo da Silveira Jordão. (Atualizado em 12 dez. 2016, às 17h43min).

            Desde o ano passado, ouvimos e vemos notícias (e escândalos) sobre as eleições norte-americanas. Inicialmente, todos achavam que a disputa seria entre Hillary Clinton, ex-Secretária de Estado e senadora, pelo Partido Democrata e Jeb Bush, ex-governador da Flórida, pelo Partido Republicano ou GOP (sigla em inglês para Grand Old Party). Contrariamente, outros candidatos surgiram, ao longo desse tempo, e contestaram essas posições. Nos democratas, o senador independente Bernie Sanders quase derrotou Hillary na indicação do partido como candidato à presidência. No lado dos republicanos, o bilionário Donald Trump e os senadores Ted Cruz e Marco Rubio cresceram nas pesquisas e nas primárias, fazendo que o ex-governador da Flórida desistisse logo da corrida presidencial. Depois de meses, Trump tornou-se o indicado pelo Partido. Nessa disputa, entre Hillary e Trump, as pesquisas indicavam que Clinton tinha mais de 80% de chance de ganhar[1]. Em contrapartida, anteontem, dia 9 de novembro de 2016, Donald J. Trump foi eleito presidente dos EUA, para a surpresa de todo o mundo (literalmente). Mas, o que a vitória do candidato republicano vai mudar no mundo? E o que aconteceu para essa reviravolta política? Bom, não sei se vou conseguir responder a essas questões, mas espero compartilhar algumas ideias sobre os resultados de anteontem.

(CNN) Donald Trump em seu discurso da vitória na madrugada de quarta-feira, dia 09 de novembro de 2016.

(CNN) Donald Trump, ao centro, em seu discurso da vitória na madrugada de quarta-feira, dia 09 de novembro de 2016. À esquerda, seu vice Mike Pence, ex-governador do estado de Indiana, e, à direita, seu filho mais novo Barron Trump.

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Ni Una Menos: a inclusão de todas as mulheres na Lei do Feminicídio

   por Julia Zordan

      Está marcada para hoje, às 18:00, uma paralização e passeata de mulheres pela cidade do Rio de Janeiro e por várias cidades da América Latina. Na última quarta-feira, dia 19, Argentina, México e Chile já haviam feito o mesmo. A razão? Lucía Perez. 16 anos. Drogada, violentada e morta no início deste mês. Cerca de 50 organizações convocaram o que foi visto como uma espécie de “greve de mulheres” nestes países [1], justamente para que este não se tornasse apenas mais um feminicídio, mais uma estatística. O movimento da semana passada, que ficou conhecido como “Miercoles Negro” (quarta-feira negra – tradução livre), recebeu apoio de mulheres ao redor de todo o mundo, tendo chegado ao topo da lista de tópicos mais comentados no mundo do Twitter ao longo da tarde, por meio da hashtag #NiUnaMenos.

          O crime do qual Lucía foi vítima se encaixa no escopo do chamado “feminicídio” – ou seja, o assassinato de uma mulher motivado pelo fato de ela ser uma mulher, motivado por uma questão de gênero, como um parceiro inconformado com o fim do relacionamento, sentimento de posse, dentre outros [2]. Este vídeo aqui complementa a caracterização deste tipo de crime.

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O que tem a ver neoliberalismo com depressão? #SetembroAmarelo

por Marina Sertã

Tenho olhado as movimentações em torno do Setembro Amarelo (Setembro Amarelo é o mês da conscientização e prevenção contra o suicídio). E, pra ser muito sincera, tenho me sentido desconfortável com todas elas. E tenho pensado em como contribuir de alguma forma.

Pensei que a melhor forma seria compartilhar um pouco de mim. Faço isso porque acredito que “se faz sentido pra mim, há de fazer pra alguém” ( 😉 ) . Porque eu acredito piamente que falar de mim é falar dos sistemas políticos e econômicos, das regras sociais e costumes culturais e religiosos nos quais eu estou imersa. Porque, sendo assim, falar de mim, é falar de alguma parte de quem quer que esteja lendo isso, e do mundo inteiro.

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O quanto se sofreu por um sufrágio?

‘O pior sistema já inventado’ é uma série de posts trazendo uma visão crítica do sistema político mais difundido no mundo hoje: a Democracia.O título é tirado de uma citação atribuída a Winston Churchill – de que “a democracia é o pior sistema político já inventado, exceto por todos os outros”. Nesta primeira parte da série, Franco vai falar sobre a ideia de sufrágio e as pessoas que foram excluídas dela ao longo dos séculos.

por Franco Alencastro

A ideia que a maioria de nós tem da democracia é de um sistema em que o povo pode escolher seus líderes – em oposição a sistemas autoritários, como monarquias absolutas e ditaduras militares. Isso faz com que muita gente considere a democracia o sistema político mais justo, já que cada cidadão pode influenciar, à sua maneira, o rumo político da nação. Com cada pessoa tendo exatamente um voto, temos a igualdade entre todas os cidadãos.

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12 de setembro: descubra o que os muçulmanos no mundo inteiro estão comemorando apenas um dia após os 15 anos do atentado às Torres Gêmeas

por Thaís Queiroz

Você sabia que os muçulmanos do mundo inteiro estão comemorando algo hoje? Eu também não sabia. E você acha que esta comemoração tem algo a ver com os atentados de 11 de setembro, que fizeram 15 anos ontem, por conta do que você acabou de ler neste título? Eu também acharia. Mas este título é o que se costuma chamar de “desonestidade intelectual”. Uma sacanagem para confundir mentes desinformadas que o sensacionalismo das notícias hoje adora fazer com um objetivo traiçoeiro e só dá mais pano para o toldo do preconceito.

Se formos reler o título, veremos que nenhuma mentira foi contada diretamente. Os muçulmanos do mundo inteiro realmente estão comemorando algo hoje e hoje realmente faz apenas um dia do aniversário de 15 anos Continuar lendo

Furor Indica (pra caramba): Hamilton – An American Musical

por: Amanda Melo e Carol Grinsztajn

   Nessa semana e na ultima, as eleições norte-americanas passam por dois  importantes eventos: as convenções nacionais dos dois grandes partidos, Republicano e Democrata. Para quem vem acompanhando as convenções e as primárias, temos visto temas essenciais sendo discutidos apaixonadamente: imigração, racismo, o lugar da mulher na política, corrupção,  políticas econômicas. Posicionamentos sobre esses temas acompanham a política norte-americana  há tempos, mas talvez há mais tempo do que normalmente imaginamos- eles se desenvolvem com as próprias condições e contradições desde os primeiros governos norte-americanos. É claro que entede-los exige muita leitura e análise, mas o aprendizado sempre pode ser acompanhado de recursos que nos trazem reflexões e questionamentos, e arte normalmente é uma ótima companheira nessa viagem, então aqui vai a nossa indicação. Continuar lendo

Furor indica: “Queridos misóginos americanos: A opressão das mulheres afegãs não existe para o seu benefício”

por Thaís Queiroz

Nesta semana, para nos ajudar a (des)entender as relações internacionais, gostaríamos de compartilhar com vocês um artigo publicado no fim do ano passado pela ativista afegã Noorjahan Akbar*, intitulado “Queridos misóginos americanos: A opressão das mulheres afegãs não existe para o seu benefício”.

Nele, a autora denuncia como homens dos Estados Unidos frequentemente desqualificam feministas estadunidenses com o discurso de “vá ser feminista no Oriente Médio! Lá elas sofrem muito mais. É a opressão delas que considero opressão. Essa sim deve ser combatida” e assim por diante. No caso, ela fala de estadunidenses e de afegãs, pois são os locais de onde ela fala e de onde ela vem. Mas esta analogia aplica-se a muitas outras relações, principalmente entre pessoas de países “ocidentais” e países “orientais”.

O texto foi traduzido por Vanessa Ribeiro e foi originalmente postado em português pelo blog Não me Kahlo.  Vamos a ele:

Queridos misóginos americanos: A opressão das mulheres afegãs não existe para o seu benefício
(Dear American misogynists: Afghan women are not oppressed for you)

Hoje [10 de dezembro de 2015] é o último dia dos 16 Dias de Ativismo contra violência de gênero. Todo ano, ler os depoimentos poderosos de mulheres que superaram essa forma tão comum de violência me inspira e me lembra do quão importante é a desigualdade global.

 Nos últimos seis anos, eu tenho tido o privilégio de falar em universidades americanas e escolas particulares sobre minha experiência trabalhando e escrevendo sobre direitos humanos na minha terra natal, o Afeganistão.  Uma das reações mais comuns que americanos têm para meus discursos e meus artigos é a invalidação da defesa dos direitos das mulheres nos Estados Unidos comparando as atrocidades que mulheres enfrentam no Afeganistão com as opressões “menos importantes” e “exageradas” que feministas estão lutando em seu próprio país. 

 A marginalização de mulheres afegãs é usada como uma ferramenta para diminuir a percepção do quão injusto é o status quo que eles têm em casa.  Esses homens, e às vezes mulheres, me contam o quanto estão decepcionados com feministas americanas por estarem “reclamando de cantadas que levam nas ruas enquanto mulheres estão sendo massacradas por homens afegãos.”

 Essa é uma reação daqueles que fingem simpatizar com mulheres afegãs – e por extensão também muçulmanas e mulheres do oriente médio em geral – enquanto atacam ativistas dos direitos das mulheres em seu próprio quintal. Continuar lendo

Desabafo de um Viajante n’Asarábias

por Daniel Milhomens*

Como alguns já sabem, nas últimas férias de início de ano eu tive a oportunidade de visitar a Palestina. Essa viagem não teve exatamente o perfil de turistar na holy land, fui de alguma forma em busca de uma narrativa, de uma história sistematicamente marginalizada.

Em primeiro lugar, caro leitor, gostaria de convida-lo a descobrir sobre esse lugar muito especial. Assim como eu me surpreendi, acredito que vocês também vão se “chocar” com coisas que nunca imaginaria. Na Palestina neva e faz frio Continuar lendo