O que esperar do fim?

por Felipe Teixeira

Enquanto assisti ao TED Talk sobre medição de sucesso na atuação dos países, não pude deixar de ficar contente. Através de uma lista de 12 variáveis, Michael Green propõe o Social Progress Index (Índice de Progressão Social). A medição se pressupõe uma ferramenta para substituir o Produto Interno Bruto (PIB) na formulação de política pública e prestação de contas dos políticos e empresas. Achei incrível, achei genial, achei tudo de bom e tudo o mais.

Faz todo sentido usar medidores que avaliem a qualidade de vida das pessoas e não o desempenho econômico dos países. Isso efetivamente cria um mundo melhor. Como a educação entra em vários níveis no desempenho econômico de um país – principalmente na produtividade e capacidade de gerar inovação – boas avaliações no índice podem efetivamente propiciar um bom ambiente econômico. Porém – como sempre – comecei a viajar na maionese.

O que acontece quando estivermos todos desenvolvidos? Países atualmente desenvolvidos balanceiam a necessidade de mão de obra barata com imigração. E compram créditos de carbono dos mais pobres. E lucram vendendo produtos de maior valor agregado. E todo tipo de exploração que se possa imaginar. Chega de “E”s, a lista de como se dá a exploração internacional é longa demais. O ponto é: se todo o mundo tiver acesso a oportunidades iguais de atingir seu pleno potencial o que será do mundo?

Sendo otimista, podemos estar em uma sociedade utópica onde etnocentrismo e heteronormatividade, machismo e outras “doenças sociais” que permeiam o mundo chegam ao fim. Um mundo onde o desenvolvimento é sustentável, a riqueza é bem distribuída, o Estado é eficiente e outros ideais que todo mundo gosta de ouvir mas só a Nova Zelândia e os Nórdicos conseguem se aproximar sem nunca atingir. Quem fará trabalhos manuais ou domésticos? Podem ser robôs, ou podemos estar em um mundo onde esses trabalhos nem existem.

Roupas autolimpantes, drones que fazem entregas e etc. Que lindo seria um mundo onde os trabalhos considerados de “baixo status” fosse delegado às máquinas.

Por outro lado, sendo pessimista, poderemos estar em um mundo onde o meio ambiente e os recursos naturais se esgotaram. A poluição e o lixo acabaram com a possibilidade de uma vida saudável e a corrupção e violência chegaram a níveis insuportáveis. Nessa distopia a bosta foi para o ventilador e nascer seria a proverbial segunda feira, se a semana fosse a vida. Ah, nela os robôs ainda fazem todo o trabalho, então as chances de mobilidade social são mínimas. Quem tem dinheiro tem, quem não tem, senta e chora.

A conclusão que cheguei é que não há um “fim”. Em ambos os futuros os desafios continuarão se impondo sucessivamente e a humanidade lutará pelo seu modelo de progresso. E a questão que fica é que modelo seria esse. Se o PIB foi a ferramenta que permitiu o desenvolvimento produtivo dos países no século XX, talvez seja hora de adotar uma ferramenta para o século XXI.

Essa ferramenta pode ser o Índice de Progresso Social. Acredito que seja e acredito também que o mundo seria um lugar melhor se as políticas adotadas visassem melhorar suas posições nesse índice. E quando viessem os novos desafios do século XXII, outra ferramenta seria criada.

Difícil dizer quanto tempo temos para mudar de curso nosso sistema de competição e progresso econômico e começar a atuar de forma a atingir a utopia otimista. Difícil dizer qual o limite da capacidade humana para superar os desafios impostos pela conjuntura.

Eu, Felipe, cito meninas malvadas quando digo: “O limite não existe”.

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