O Teatro de Não-Saberes

por Marina Sertã

Aos meus caros professores.

É sob o estresse da semana de provas, soterrada por milhares de textos, livros, resumos, esquemas, dancinhas e urucubacas pra decorar os argumentos de autores, que eu vos pergunto, meus caros professores:

É sério que a essa altura do campeonato, no 6º período, eu ainda tenho que decorar matéria pra cuspir em prova?

Me parece um movimento tão artificial e tão contrário a tudo que somos estimulados em nosso departamento tão crítico. Somos tão estimulados a pensar, refletir, analizar, questionar, criticar! Por que ainda somos avaliados por papagaiar meia dúzia de termos que, muitas vezes não fazem sentido para nós? Por que ainda somos obrigados preencher uma folha de papel com palavras vazias só porque elas são as que os professores querem ler?

Não entendo o propósito das provas assim. Não entendo ter que fingir que eu sei algo que tenho dúvidas ou defender algo que eu não concordo. Não entendo aprender lentes teóricas só pra copiá-las numa folha. Quero aplicá-las! Quero usá-las! Questioná-las! Problematizá-las! Dançar com elas! Quero (ser estimulada a) fazer mais! Quero ser mais do que um papagaio-de-pirata-acadêmico. Quero navegar!

Será que é isso que os professores querem, robôs que cospem palavras-chave? Será que não percebem o quanto esse modelo de avaliação é prejudicial? Porque, se eu tenho que fingir que sei, quando eu vou poder questionar? Quando eu vou poder aprender a aplicar as ferramentas que estão me entregando? Como que eu vou me sentir confortável para usar essas ferramentas, brincar com elas, aplicá-las, problematizá-las, se a minha nota está condicionada à reprodução perfeita das palavras dos autores? Qual é o espaço que eu tenho pra errar? Porque todo processo de aprendizado é permeado por tentativas e erros! Mas se eu sou punida por errar, qual é o meu estímulo a tentar?

Nada disso me parece minimamente orgânico ou estimulante ao aprendizado. Chego a porta do 7º período com a conclusão de que provas assim me deseducam, me limitam, me desencorajam a pensar, refletir, analizar, questionar ou criticar.

Neste fim de período, ficam os lamentos de uma atriz com sua meia dúzia de falas pra decorar para sua performance no Teatro de Não-Saberes.


Ela é muito legal, eu queria ter eu pensado nela, mas a expressão do título foi roubada do Paulinho! Vai pra nossa tag informal #valeupaulinho. 😉

Anúncios

Um comentário sobre “O Teatro de Não-Saberes

  1. Cara, sempre penso nisso! O quão inútil é ficar decorando as coisas :(( Mas ainda bem que temos alguns professores que não querem nenhuma decoreba, como a Maria Helena e o Fernando de Segurança, entre muitos outros 🙂

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s