O Rio pelos olhos de… Amanda

por Amanda Melo

Ontem a Julia falou em seu post sobre os fluxos presentes numa cidade global como o Rio de Janeiro.  Hoje, dando continuidade à nossa semana especial de aniversário, eu resolvi falar de algo que não está fluindo. O trânsito.

Por exemplo, ontem eu levei duas horas da Barra a Copacabana. O ônibus, depois de demorar a chegar no ponto, levou uma hora para conseguir passar do Túnel do Joá, praticamente a única saída da Barra para a Zona Sul (trajeto que em condições normais demoraria quinze minutos, no máximo). Um outro exemplo: duas semanas atrás eu fui para Jacarepaguá e também fiquei presa num engarrafamento por mais de uma hora – num dia de domingo, o que é pior.

Eu tenho sorte por pegar esse tipo de engarrafamento ocasionalmente, quando há um acidente ou interdição inesperada, mas para muitas pessoas isso já virou rotina. Para os que moram no Rio já ficou mais do que evidente que a situação do trânsito na cidade está precária. E não é apenas a questão dos engarrafamentos, todo o transporte público apresenta sérios problemas.

Vamos retomar mais um elemento presente no post da Julia, as Olimpíadas. É em seu nome que muitas obras estão sendo feitas, o que por si só já daria um nó no trânsito.  Mas mudanças no transporte também são feitas já pensando nos Jogos, como a expansão do Metrô. A linha 4, ligando a Gávea à Barra deveria ficar pronta até o final deste ano, mas já foi dito que a estação da Gávea só estará em funcionamento em dezembro do ano que vem, ou seja, bem depois das Olimpíadas. Além dos prazos continuamente estendidos, o serviço prestado pela Metrô Rio é deprimente. Composições que demoram, vagões lotados, sem ar condicionado (apesar da passagem cara), são um desrespeito ao consumidor. Como expandir um serviço que funciona mal?

O estado dos trens que cortam a cidade consegue ser ainda pior. Claro que há as composições novas, mas na maioria dos casos há os mesmos problemas de atraso e superlotação, além de acidentes como descarrilamento ou paradas súbitas devido à falta de manutenção dos trilhos e sinalização.

Esse é o quadro geral do trânsito no Rio de Janeiro. Aos ônibus é atribuída a tarefa de transportar a massa, algo além da sua capacidade, e medidas paliativas como os corredores exclusivos são tomadas. Quando há, o ar condicionado, que deve estar em 100% da frota até 2016 (quem diria, o ano das Olimpíadas!), não dá vasão à quantidade de pessoas ou ao calor da cidade. As empresas de ônibus tentam repassar seus gastos pressionando pelo aumento das passagens, ao mesmo tempo em que cortam funcionários, obrigando muitos motoristas a trabalharem por dois. Ao eliminar o emprego dos trocadores, a viagem de ônibus se torna mais perigosa, pois o motorista tem que se concentrar em pegar o dinheiro do passageiro, dar o troco, liberar a catraca, ao mesmo tempo em que tem que prestar atenção nos outros carros e pedestres. A viagem também fica mais lenta, pois os motoristas mais sensatos não saem do ponto enquanto não dão o troco aos passageiros – ou seja, mais trânsito.

Sim, a minha intenção aqui era resumir um dos aspectos mais irritantes da cidade, pois todos já conhecem a Cidade Maravilhosa, das praias e do carnaval. Quero chamar atenção para algo que afeta a todos, pois o trânsito é algo extremamente democrático, afeta todas as Zonas, Sul, Norte e Oeste, e mesmo aqueles que não dependem do transporte público acabam presos no trânsito.

Assim, por mais que eu adore ver a paisagem do Aterro do Flamengo, ou da Niemeyer, ou da Praia de Ipanema através da janela do ônibus, espero que quando estivermos comemorando o 500º aniversário da cidade não estejamos ainda parados no mesmo lugar e que os cidadãos ganhem o presente de poderem estar presentes onde e quando eles quiserem.

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3 comentários sobre “O Rio pelos olhos de… Amanda

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