O Rio pelos olhos de… Felipe

por Felipe Teixeira

É inusitado para mim ser uma das últimas pessoas a falar nesse especial de aniversário do Rio de Janeiro porque como muitas das minhas colegas que escreveram antes, eu não sou daqui. A coincidência que acho engraçada é por quê exatamente hoje 28 de Fevereiro, faz 11 anos que estou no Rio. Comemora o momento oficial onde eu morei mais tempo no Rio do que em Salvador, minha cidade natal.

Fico muito agradecido por ter crescido no Rio de Janeiro, principalmente por que sou gay. Entendo perfeitamente que ocorrem todo o tipo de mazelas com gays e lésbicas todos os dias nessa cidade e a vida ainda não é tranqüila para muitos de nós homossexuais. Porém a Bahia é o estado campeão nos assassinatos de homossexuais então fico feliz por ter crescido fora de um ambiente tão hostil.

Por mais que as coisas sejam efetivamente complicadas, o Rio é uma cidade carregada de diversidade. Não só pelas milhares de pessoas de todos os países que se encontram aqui, mas por quê a cidade possui uma diversidade de tribos, culturas e pensamentos que pode parecer complexa mas na verdade é simples.

Simples por que aqui você sente essa vontade imensa de parar de entender e aceitar. Você entra em um ônibus e evangélicos, emos, gays, heteros, argentinos, transexuais, socialistas, cultos, recatados, atletas, piriguetes e todo o tipo de gente que você possa imaginar estão lá sentados. O Rio é o caldeirão social mais rico que já vivenciei.

É impossível não amar essa chance de apenas sentar e observar as pessoas. Já fiz isso algumas vezes e é umas das poucas coisas que gosto de fazer quando estou passando o tempo – quando não estou fechado em um livro.

Quando crescia o acesso a tudo isso formou muito meu caráter. Lembro de mim mesmo aos 14 anos morrendo de curiosidade para conhecer a Farme de Amoedo e sua praia. E como mês passado queria muito conhecer uma festa chamada V de Viadão. Mas não sou só eu. Existem pessoas na minha sala de aula que queriam muito ir ver Charles Aznavour e foram. E uma amiga que queria ir a uma manifestação feminista no centro da cidade e foi. E quem quis se juntar a uma publicação online neoliberal com alguns amigos e conseguiu. E quem queria se tatuar com um famoso tatuador alemão e não conseguiu, mas tentou.

Caramba, teve uma guerra de purpurina na lapa. Isso mesmo, as pessoas estavam jogando glitter umas nas outras e se você não acha isso estupidamente genial você está errado.

Além da diversidade, o Rio é um lugar em que você está sempre curioso quanto ao próximo fim de semana. Ansioso para quando aquela exposição chegar mês que vem. Esperando aquele próximo show da sua banda favorita que está fazendo turnê. A cidade pulsa novidade de todo o tipo e acolhe a todos em seu abraço diverso. Todos são convidados a aproveitar as paisagens cênicas e cultura absurdamente viva que temos aqui.

Venha ao Rio. E se você já está aqui viva o Rio. Conheça a cidade e as pessoas nela. Garanto que você não vai se arrepender.

Parabéns Rio. Eu te amo.

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2 comentários sobre “O Rio pelos olhos de… Felipe

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