Furor indica: “Os Filhos da Meia Noite”

por Kayo Moura.

OS-FILHOS-DA-MEIA-NOITE-

Da diretora indiana, Deepa Mehta, também diretora de “Às Margens do Rio Sagrado” (2005) e com roteiro produzido em parceria com Salman Rushdie que além de narrador da trama – e famoso pelo polêmico “Versos Satânicos”, responsável pela promulgação de sua sentença de morte, nunca efetuada, pelo Aiatolá Khomeini [1] – é também autor da premiada obra literária que baseia a adaptação cinematográfica. “Os Filhos da Meia Noite” (Midnight’s Children, 2012) conta a história de Saleem Sinai, um jovem indiano, que ao nascer no mesmo instante da emergência de uma Índia independente, tem seu destino selado com a história de seu país.    

Em uma espécie de Forrest Gump bollywoodiano, “Os Filhos da Meia Noite” nos apresenta de forma prazerosa (porém dramática) a 30 anos de história indiana apontando algumas das diversas tensões da sociedade indiada naquele momento (a colonização, os socialistas, os hindus, os muçulmanos, os pobres, os ricos, entre outros). Além de se preocupar em marcar os principais episódios históricos da recém-independente Índia, como o “nascimento” e militarização do Paquistão, os momentos autoritários da política indiana e a criação de Bangladesh. Tudo isso entrelaçado com muito romance, amor, sofrimento (não necessariamente nessa mesma ordem ou na mesma dosagem) e com uma pitada especial de magia que talvez conte como um dos pontos falhos na realização da adaptação. Sim, a história é extremamente encantadora e com enorme potencial, afinal trata-se de um conceituado romance. Contudo, na adaptação do romance para o longa o filme peca, como geralmente ocorre. O livro possui mais de 500 páginas e embora o filme tenha 146 minutos ele não dá conta de explorar os personagens de maneira satisfatória e não consegue manter a atenção do expectador no decorrer de todo o filme.

Entretanto, como não sou um vasto conhecedor de cinema e muito menos um crítico, meu trabalho aqui objetiva apenas chamar a atenção para uma história que me despertou imensamente a atenção. Certamente através desse filme, tive contato com uma história extremamente rica e talvez proporcionalmente negligenciada que provavelmente eu não teria contato por outros meios. E por isso, apesar de todas as falhas e defeitos o saldo foi positivo, ao menos para mim. Contudo para além da qualidade e originalidade da obra de Salman Rushdie, seu romance trás a nossa memória uma constatação um tanto quanto simples e óbvia, embora esquecida. Seu trabalho nos recorda e ilustra através da agitada vida de Saleem Sinai que nossas vidas são extremamente ligadas com o contexto a nossa volta e que somos afetadas pelos acontecimentos políticos (nacionais e internacionais), estejamos nós cientes e nos importando com eles, ou não.

Espero que vocês também deem uma chance aos Filhos da meia noite!

[1]- http://noticias.terra.com.br/mundo/25-anos-apos-sentenca-de-morte-autor-de-versos-satanicos-ainda-e-odiado-por-muculmanos,00c91de3c3d24410VgnVCM4000009bcceb0aRCRD.html

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