Jogando Petróleo no Ventilador Parte 1

por Felipe Teixeira

Quando a Arábia Saudita – tida como líder político da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) – trouxe sua agenda política para os mercados internacionais de petróleo o mundo tremeu. Foi um golpe astuto, executado de forma que seus danos foram pequenos quando comparados aos de seus inimigos. A decisão da OPEP foi que os preços do petróleo iriam cair (e muito). Esse movimento mudou o cenário político mundial e nós estamos aqui para lhe contar o bafafa que isso deu![1]

Sergio e Felipe fizeram esses dois posts para lhes contar o que aconteceu com o mundo quando a Arábia Saudita decide brincar de jogar o petróleo no ventilador.

Jogando Petróleo no ventilador, Parte 1:

NAFTA:

O grupo formado pelos países da América do Norte anda relativamente blindado aos problemas que vêm do Oriente Médio. A produção do Canadá e do México seguem alimentando os Estados Unidos. Porém, além do maior consumidor de derivados de petróleo do mundo, os Estados Unidos agora são também um dos maiores produtores.[2]

A exploração do gás de xisto na maior economia do mundo alimenta sua fome de petróleo. Esse meio de produção, embora mais caro que a exploração convencional, se mantém lucrativo por uma margem pequena. As empresas endividadas e de menor eficiência já estão enfrentando dificuldades financeiras, mas isso somente abre oportunidade para as consolidadas realizarem fusões e aquisições.

No fundo a situação americana fica dividida. Os estados produtores de gás de xisto enfrentam dificuldades enquanto os estados que se beneficiam de matéria prima barata (alô, califórnia!) lucram. Perdas e ganhos se mantém equilibrados no país como um todo.[3]

Pelo menos nessa parte do mundo as coisas seguem normalmente, enquanto os Estados Unidos assistem de camarote vários rivais/agitadores políticos (sobre Irã e Rússia, saiba mais na Parte 2) entrarem em crise.

América do Sul

Venezuela e Equador vivem situações parecidas, mas com respostas diferentes dos governos. Com a maior parte de suas exportações baseadas em petróleo não-refinado a Venezuela sofreu um verdadeiro revés com a queda dos preços. Hoje falta de tudo na economia do país a crise de abastecimento é piorada pela inflação. Por enquanto o governo se mostra incapaz de conter a crise.

Já o Equador também depende muito de petróleo em suas exportações, porém o presidente e economista Rafael Correa foi capaz de apertar os cintos da economia através de reformas e assegurou empréstimos com a China para equilibrar as dívidas. Apesar de ter sofrido um golpe, a economia segura as pontas e parece estar aproveitando o momento para cortar o desnecessário da máquina pública.[4]

África:

Três dos grandes produtores de petróleo da África estão passando por diversas dificuldades em equilibrar suas contas públicas. Os gastos financiados com os lucros do petróleo se mantém em situação difícil de cobrir e os sistemas obsoletos e ineficientes de produção torna a situação impossível de cobrir. Em uma tentativa de manter os preços competitivos, os governos vêm concedendo benefícios fiscais o que expande ainda mais seus gastos. [5]

Os três países tentaram na OPEP reverter a situação dos preços, mas seus apelos caíram em ouvidos surdos. No momento a situação desses países é insustentável.[6]

Brasil:

Assim como nos Estados Unidos aqui no Brasil a coisa não é preto no branco. A situação é mais complicada do que se imagina. Enquanto os baixos preços do petróleo alimentam as agroindústrias que utilizam esses insumos, seria preferível para o Brasil que o preço aumentasse; dessa forma haveriam mais investidores interessados no pré-sal.

Porém, a atual crise na Petrobrás encontra algum consolo nos preços baixos de petróleo, já que a estatal é obrigada a vender no mercado interno a preços fixos. Assim, a Petrobras lucra comprando barato lá fora e vendendo caro aqui dentro.[7]

Europa:

Na União Européia em geral o clima é misto. Enquanto o baixo preço dos derivados de petróleo barateou a energia – após cortes de relações comerciais com Rússia por causa do conflito na Ucrânia – a diminuição dos custos também trás o perigo da deflação na economia, que o Banco Central Europeu vêm tentando evitar a todo custo.[8][9]

Como uma ilha de tranquilidade entre os produtores de petróleo Noruega também enxerga a queda dos preços como um problema, mas do alto de seu Fundo  Soberano – onde os lucros do petróleo são depositados – os problemas parecem ser passageiros. Como já estavam preparados para lidar com esse tipo de problema nem mesmo a queda nos lucros da Statoil (Estatal Norueguesa) tirou a economia do equilibrio. Tudo segue em paz no reino da Noruega.[10]

A seguir, Sergio vai falar sobre o Oriente Médio, Rússia e os países asiáticos.

O que acontece no Oriente Médio quando a economia com maior influência política nos produtores de petróleo do mundo decide jorrar petróleo no ventilador?

Descubra no próximo post da série que você pode ler CLICANDO AQUI.


Referências:

[1] http://foreignpolicy.com/2015/01/13/the-good-bad-and-ugly-of-plunging-oil-prices/

[2] http://www.bbc.com/news/business-29643612

[3] http://foreignpolicy.com/2014/12/15/a-global-energy-superpower-rises/

[4] http://blogs.ft.com/beyond-brics/2015/03/02/facing-up-to-cheap-oil-a-tale-of-latin-americas-two-opec-members/

[5] http://www.thisdaylive.com/articles/algeria-in-talks-with-nigeria-angola-over-oil-price-slump/204400/

[6] http://allafrica.com/stories/201503171037.html

[7] http://www.economist.com/news/international/21627642-america-and-its-friends-benefit-falling-oil-prices-its-most-strident-critics

[8] http://www.economist.com/news/international/21627642-america-and-its-friends-benefit-falling-oil-prices-its-most-strident-critics

[9] http://www.dw.de/low-oil-prices-hit-german-exports-to-opec/a-18216969

[10] http://theconversation.com/why-norway-is-not-panicking-about-the-oil-price-collapse-37392

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Um comentário sobre “Jogando Petróleo no Ventilador Parte 1

  1. Pingback: Jogando Petróleo no Ventilador Parte 2 | O Furor

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