Somos todos Sheldon Cooper

por Raphael Aleixo

Imagine ter uma das mentes mais brilhantes na Terra, tendo a real chance de alcançar um Nobel e ser incapaz de reconhecer o sarcasmo: essa é a vida do dr. Sheldon Cooper, personagem da série The Big Bang Theory. Refém das inúmeras convenções sociais do cotidiano, a caricata falta de jeito e tato do acadêmico para lidar com situações banais é o grande destaque cômico do show.

Mas sejamos francos: quem nunca se viu numa situação parecida? Que atire a primeira pedra aquele que jamais teve em sua mente o desesperador pensamento “o que eu faço agora?!” enquanto oferece ao mundo um forçado um sorriso amarelo para tentar disfarçar a situação? O desconforto em não saber o que fazer é tão grande que esquecemos opções óbvias, como reconhecer a falta de conhecimento e perguntar de uma forma sutil qual a ação a ser tomada.

Arriscar a fazer do próprio jeito? Poucos são os ousados que tem coragem de fazer isso. Aparentemente perdemos a capacidade de vivermos para nós. Nossas escolhas são tomadas para que a sociedade nos veja de forma positiva. Se escolhemos a melhor roupa para ir num evento, estamos automaticamente credenciados a falar “nossa, viu a roupa de fulano?”, e claro, estamos sujeitos à mesma avaliação se formos nós os que não se prepararam adequadamente para o batalhão de juízes e juízas espalhados pelas ruas.

E são situações tão corriqueiras que já nem questionamos: qual o sentido em termos grande parte dos profissionais usando terno e gravata em cidades em que 30ºC é um dia fresco? Por acaso a competência e as habilidades de exercer qualquer função estão atreladas à capacidade de não misturar bolinhas com listrados? Deixemos a semana se tornar acasual Friday.

Precisamos de mais naturalidade, de mais sinceridade, de mais coragem. Deixemos ser felizes aqueles que escolhem ir mergulhar na praia com calça e camisa num domingo de sol; sejamos felizes e assumamos também as nossas manias e esquisitices sem que nos importemos com o que o próximo diz. O Sheldon tem feito isso e não me lembro de tê-lo visto reclamar.

Raphael tem 22 anos, estuda Comunicação Social e já mergulhou de roupa na praia cheia, mas, apesar disso, acredita que a coisa mais estranha que ele fez na vida é torcer pelo Madureira.
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