Carreiras e RI: O que diabos eu estou fazendo com a minha vida?

por Felipe Teixeira

Se você estuda Relações Internacionais provavelmente já se deparou com a seguinte pergunta: “O que diabos eu estou fazendo com a minha vida?”

Todo mundo sabe que RI é um curso muito abrangente, onde aprendemos um pouco de tudo mas muito raramente as aplicações práticas daquilo que estamos estudando. Se você já tem um objetivo em mente ou quer estudar suas opções, essa postagem pode servir como um guia para você se preparar.

Primeiro apresentarei algumas das carreiras possíveis para o graduando em RI, depois citando opções de carreira e algumas alternativas em como preparar seu currículo para tentar a vaga. Temos muitos formandos em RI em um mercado relativamente limitado tanto em questão de vagas quanto em geografia. Enquanto o mercado se abre vagarosamente para o profissional da área as vagas para Relações Internacionais ainda se concentram no eixo dos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal.

Política:

A atuação no meio político se dá em cargos de intermediação de relacionamentos internacionais e institucionais. Alguns governos estaduais e municipais possuem secretarias específicas para lidar com as Relações Internacionais, enquanto no âmbito federal o trabalho pode se dar em Ministérios, como na Defesa e no Desenvolvimento, Indústria e Comércio. Para os estagiários é possível também ficar de olho nos consulados e embaixadas que estão presentes em sua cidade.

Para se preparar para estagiar nesse ramo é essencial dominar línguas estrangeiras além do inglês. Um intercâmbio também pode ser o diferencial em uma contratação. Normalmente alguma experiência de trabalho anterior poderia ser o bastante para mostrar sua maturidade em assumir o cargo. Organizações governamentais tendem a ter uma dinâmica própria muito característica por serem diferentes entre si e normalmente não buscam um perfil específico. Estagiar nesse meio permite ao estudante fazer muitos contatos e ver de perto como o governo funciona. Essa experiência abre muitas portas em outras carreiras.

Mercado:

Os alunos de RI que querem trabalhar no setor privado não estão mais limitados somente ao comércio exterior.  As empresas da indústria e serviços estão cada vez mais estão abertos aos alunos da área, mas para entrar nesses setores é preciso ter bastante qualificação, já que os processos são bem concorridos. As grandes empresas não só estão contratando para os seus setores de Relações Internacionais como muitas vezes possuem setores institucionais e administrativos em que os alunos podem se inserir naturalmente.

Uma categoria especial de empresas, as consultorias, têm percebido o quanto os alunos da área estão qualificados a se inserir nesse setor. Envolvendo pesquisas direcionadas ao mercado com conhecimentos de gestão as consultorias podem garantir que o aluno atue na área, mas totalmente na prática. Bancos comerciais, bancos de investimento e fundos, por fim, estão entre os contratantes dos alunos de Relações Internacionais que mais permitem projeção na carreira por meio de programas de estágio e trainee.

Para se destacar nos processos seletivos, é preciso ter um bom currículo. Diferenciais importantes são a participação em uma empresa junior (de preferência em cargos mais altos) e cursos variados, que vão desde excel (afiadíssimo) até gestão na área que a empresa atua.

Instituições:

Existem ainda locais que funcionam como um meio termo entre o ambiente político e o ambiente de mercado. Literalmente algumas dessas instituições fazem esse tipo de intermediação. É o caso de Câmaras de Comércio, Associações e Federações. As câmaras que realizam o intermédio de relações comerciais e de investimento entre os países são experiências de valor para os alunos de RI, pois possibilitam testemunhar relações institucionais e ter uma experiência de mercado. Um estágio em uma câmara de comércio funciona como um coringa no currículo do aluno: de lá ele pode ir para quase qualquer profissão.

Federações (como a FIRJAN, no Rio de Janeiro) e iniciativas como a Apex Brasil muitas vezes assumem o papel de consultorias, mas atuam mais como representantes e apoiadoras das empresas locais no ambiente nacional e externo. Para preparar o currículo e fazer o processo seletivo é recomendado ter experiências como intercâmbio e falar idiomas comuns no comércio exterior brasileiro, como Espanhol, Francês e Chinês. No caso das câmaras de comércio, obviamente depende dos países envolvidos.

Comércio Exterior:

À aqueles que não querem se tornar pesquisadores o comércio exterior parece ser a outra saída óbvia. Muito presente em cidades portuárias o profissional de ComEx pode atuar em empresas de Logística, Importação/Exportação e Regulação. Além de funções de Logística em empresas de outros setores. Nesses casos, muito do treinamento se dá dentro da própria empresa então pode ser uma boa primeira experiência profissional, apesar de não te preparar para seguir outras carreiras, como uma câmara de comércio.

Para construir o currículo e entrar em uma empresa desse segmento, cursos preparatórios de regulação e comércio exterior devem ser combinados com atividades extracurriculares que te destaque dos outros que fizeram o mesmo curso e demonstrem maturidade. Se a empresa vai contratar alguém e ter o custo de treinar, precisa ter certeza que está selecionando um jovem profissional. No mais, línguas como Inglês e Espanhol são as mais requisitadas.

ONGs:

As queridinhas de muitos alunos de Relações Internacionais, as Organizações Não Governamentais atuam globalmente para fazer um mundo melhor. As maiores como Action Aid, Médicos Sem Fronteiras, Greenpeace e Cruz Vermelha são escolhas óbvias para quem pretende seguir esse ramo embora existam outras menores que atuem de forma local e internacional como a Clinton Foundation e o Jon Snow Institute. E não pensem que ONG é trabalhar de graça: isso é mito. Carreiras em ONGs podem ser longas e recompensadoras.

Para se inserir nesse ramo profissional um intercâmbio e domínio de línguas como Francês e Inglês são muito importantes. Outras línguas que podem interessar são o Árabe e o Espanhol. A experiência de trabalho voluntário ainda na universidade pode te inserir nesse meio trazendo experiência e compondo uma boa trajetória com propósito. Lugares como AIESEC, Teto, Movimento Choice e outras trabalhos voluntários são diferenciais em qualquer currículo do segmento.

Academia e Pesquisa:

Para muitos alunos essa parece a escolha óbvia. Isso acontece porque os cursos de Relações Internacionais tendem a formar novos professores e não profissionais de mercado. Mas se sua paixão é lecionar e pesquisar se sua maior vontade ao concluir a graduação é emendar em um mestrado, saca só essas dicas:

O meio acadêmico não é limitado como pode parecer. Além das Universidades os Centros de Pesquisa (Think Tanks) também tem muita sinergia com os acadêmicos. Institutos como Ipea, Ibase ou Igarapé também se apresentam como opções. Existem muitas carreiras em diversas áreas do conhecimento. Vai depender do aluno se informar sobre sua área e ler bastante.

Além de uma extensa base de conhecimento há algumas experiências que beneficiam o aluno que quer se tornar pesquisador. Entre elas: intercâmbio em uma universidade de referência na área estudada, PET, PIBIC, grupos de estudo, monitorias na universidade e publicar artigos. Sendo esse o último o mais importante.

Diplomacia:

A famosa diplomacia é o sonho de nossos pais quando dizemos que queremos cursar Relações Internacionais. Mas a Diplomacia é, por definição, para poucos. O número de vagas em concurso geralmente é pequeno e não voltará aos níveis do governo Lula tão cedo. Isso significa uma proporção maior de candidatos por vaga em um processo muito mais seletivo.

Aos que pretendem entrar no Itamaraty, é necessário ser proficiente em línguas e pensar em começar a juntar dinheiro para pagar o Curso Clio, que é o que melhor prepara para as provas. No mais a vivência no exterior tende a contribuir com o resultado na prova de línguas, assim como publicações e pós-graduações em faculdades de renome fazem a diferença na hora da prova de títulos. Os aspirantes a diplomatas devem ter excelente postura e pensamento crítico e se preparar para as pressões cotidianas da carreira.

Outras carreiras diplomáticas incluem Organizações Intergovernamentais, como o Sistema ONU e o Grupo Banco Mundial ou a OMC. Com o volume de aspirantes a ingressar nessas organizações, ter alguma indicação pode ajudar no processo. Montar um currículo direcionado a organização de escolha e se preparar também é fundamental. Francês se mostra fundamental e Espanhol um diferencial importante, mas as pós-graduações, experiências e cursos realizados é que efetivamente farão a diferença.

E acaba por aqui. Esqueci de algo? Comente abaixo suas dúvidas, sugestões e opiniões.

É importante lembrar que quando se fala de carreiras, principalmente em RI, nada é preto no branco. Pesquisadores freqüentemente realizam consultorias para ONGs, OIGs, Governos e Consultorias. Funcionários públicos realizam pesquisa. Uma carreira de empresa pode te levar a prestar serviço para o Banco Mundial. Um mestrado pode te abrir portas em empresas, no governos ou em ONGs. As experiências que constituem uma carreira são intercambiáveis e seu futuro depende do quanto você se empenha nele.

Mas um conselho: Corra atrás, pois onde quer que você vá as vagas geralmente são limitadas.

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