Você já ouviu falar em economia criativa?

   por Julia Zordan

      Numa tarde dessas de domingo eu fui dar uma volta na praça. Já estava indo embora quando vi no chão um pano estendido, e uns livros em cima. Apaixonada por livros que sou, não resisti e me aproximei. Escolhi um livro. Perguntei o preço e fui surpreendida pela resposta de que o preço daquele livro seria atribuído pra mim, de acordo com o meu julgamento sobre seu valor, de que aquilo se tratava de um movimento de economia criativa. Essa é a história de como eu voltei para casa com um livro, que eu estava querendo há meses, sobre o Islã.

      Antes de ir embora, o Thiago, de quem partiu a resposta que me surpreendeu, me pediu para curtir a página dele no Facebook, para dar um apoio e acompanhar o trabalho dele. Depois quis saber mais sobre o trabalho dele e sobre o que era esse conceito de economia criativa. Não era a primeira vez que eu ouvia o termo, mas pouco sabia sobre. Ele me explicou que era “um conceito de negócios que usam criatividade como matéria prima. Por exemplo, na economia tradicional temos uma loja de roupa de grife e na economia criativa podemos citar um brechó fashion. Na primeira, o que define o preço final dos produtos, são maquinas de costura, transporte de material, tecido, aluguel de loja, mão de obra das costureiras, etc. Na Segunda o que define o valor das coisas é a criatividade”, o que é aprofundado pelo Sebrae¹:

“Economia Criativa é um termo criado para nomear modelos de negócio ou gestão que se originam em atividades, produtos ou serviços desenvolvidos a partir do conhecimento, criatividade ou capital intelectual de indivíduos com vistas à geração de trabalho e renda.

Diferentemente da economia tradicional, de manufatura, agricultura e comércio, a economia criativa, essencialmente, foca no potencial individual ou coletivo para produzir bens e serviços criativos. De acordo com as Nações Unidas, as atividades do setor estão baseadas no conhecimento e produzem bens tangíveis e intangíveis, intelectuais e artísticos, com conteúdo criativo e valor econômico.

Grande parte dessas atividades vem do setor de cultura, moda, design, música e artesanato. Outra parte é oriunda do setor de tecnologia e inovação, como o desenvolvimento de softwares, jogos eletrônicos e aparelhos de celular. Também estão incluídas as atividades de televisão, rádio, cinema e fotografia, além da expansão dos diferentes usos da internet (desde as novas formas de comunicação até seu uso mercadológico), por exemplo.

A edição especial do Relatório de Economia Criativa 2013, elaborado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), destaca que a economia criativa se tornou em uma poderosa força transformadora no mundo de hoje.

É um dos setores que está crescendo mais rápido no mundo econômico, não apenas em termos de geração de renda, mas também na criação de empregos e em ganhos na exportação. Segundo a publicação, criatividade e inovação humana, tanto individual quanto em grupo, se tornaram a verdadeira riqueza das nações no século 21”.

      O que eu não sabia é que o Brasil é um dos maiores produtores de economia criativa do mundo, segundo estudo da Firjan², que aponta que o mercado formal de trabalho no setor envolve 810 mil pessoas, ou 1,7% dos trabalhadores brasileiros. O Thiago é um deles, e me contou sobre como foi parar nesse setor:

“Sou ator, musico, produtor cultural, empresário artístico, e agora, Livreiro. Parti de um momento de crise, com falta de grana para o aluguel, precisava completar o valor. Decidi dar uma volta de bike pela cidade. Fui observando, de estabelecimento em estabelecimento, cada um que passava, dando atenção ao lugar e pensando: -Por que eu não trabalho aqui? – Não! –Aqui… também não! -Por que eu não peço emprego aqui? E na tarde do mesmo dia, fui tomar um café com minha avó, que pediu para eu dar um jeito numas caixas que tinha – a muito – guardadas na casa dela. As três pequenas caixas estavam cheias de livros. Sempre, no decorrer da vida, que alguém aparecia com a história de dar livro, eu pedia. Achava que ia ler aquilo tudo. Acumulei e deixei esquecido lá na vó, uns 50. Diferente da minha estante de estudo, com meus livros favoritos. Eu mantenho um conteúdo estacionado, mas sempre que faço uma boa venda, procuro direcionar um titulo novo para “o Livreiro”. Naquele café, me veio a semente dessa ideia. Acabou café, peguei uma canga e um pedaço de tecido, coloquei tudo numa mala gigante, de rodinhas e lá fui. Cheguei na praça, estacionei a mala próximo a uma escadinha, fui no botequim e pedi uma vassoura, varri a escada e coloque os panos esticados, arrumei os livros em cima e fiquei um tempão olhando, feito aquele joguinho do cubos tentando ver qual tinha a ver um com outro, para que o publico pudesse rapidamente assimilar tudo que eu tinha pelo interesse. Chega a primeira cliente e eu a recebo com bom dia. Ela pergunta o preço eu digo que cada um tem um preço, ela pergunta o valor de um livro especifico e eu respondo com uma pergunta: – Quanto você acha que vale? E ela diz que não sabe. Eu digo que também não sei e ela lança: – Dez reais! Tá ótimo! Eu concluo. E ela leva. E assim se sucede de visitante por visitante até hoje”.

      A economia criativa tem se tornado cada vez mais popular. Muito disso se deve não só a valorização da criatividade, algo que o brasileiro tem de sobra, mas também de ser uma saída encontrada por muitas pessoas para a crise pela qual o país passa, sendo a criatividade cada vez mais a “autora das alternativas sobrevivência”, como colocado pelo Thiago. Além disso, outro fator que aumenta a importância do setor é o fato de ele ser altamente sustentável. Uma sustentabilidade ambiental, social e econômica. Como o Thiago me falou, o trabalho dele envolve “Ocupação e uso consciente de espaço público, preservação e manutenção do objeto social, jardinagem, limpeza, pintura, direcionamento dos resíduos, tudo com olhar de dever social, não só do poder público, mas de todo cidadão que faz uso. Conscientização disso junto à comunidade. Gestão articuladora do comercio do entorno, como a figura de ligação de todos com o olhar de cuidado e bem estar voltados para a praça”. Dessa forma, o caráter social da economia criativa fica claro quando percebemos que o exercício da cidadania e o espírito de coletividade são partes fundamentais das ações de economia criativa.

      Outro ponto importante de ser lembrado quando falamos de economia criativa é a importância da internet e das redes sociais para os negócios. Não só é muitas vezes através dela que os negócios são articulados, e tornados possíveis, como as redes sociais também são utilizadas como vitrine do setor, como forma também de “dar vida às ações de cidadania”, como colocou o Thiago. Muito do que se faz no setor depende do compartilhamento das ideias criativas – para o que as redes sociais são fundamentais.

      A economia criativa é uma forma diferente de ver o mundo, de ver o valor das coisas. E é também uma nova forma de se ter consciência e tomar ações sociais. É um setor da economia que combina movimentação de dinheiro, cidadania e sustentabilidade, sendo fortemente impulsionado e influenciado pela tecnologia. Talvez apenas poucas coisas me pareçam mais século XXI do que isso.

P.S.: Que tal dar uma força para o Thiago e curtir a página dele no Facebook? O link está ali em cima!

Fonte:

[1] e [2] SEBRAE NACIONAL. O que é Economia Criativa. Obtenha informações sobre o que é economia criativa e sobre este modelo de economia no Brasil e no mundo. Brasilia. 07 jan 2016. Disponível em: <http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/O-que-%C3%A9-Economia-Criativa&gt;. Acesso em 02 fev 2016.

 

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3 comentários sobre “Você já ouviu falar em economia criativa?

  1. Júlia ,meus parabéns ! Achei esse trabalho muito interessante.Confesso que já tinha ouvido falar mas fiz um pré-julgamento,partindo da premissa que seria mais uma daquelas novidades relâmpagos,da mesma forma quem vem,some dias depois.

    Essa experiência exposta de modo claro e objetivo ,abre uma série de oportunidades no meu ramo de atividade.Trabalho com Internet,Redes Sociais ,Sites ,Blogs e Publicidade Digital.Estudarei o assunto com mais profundidade e julgo que se aplica no meu caso,principalmente para pequenas empresas.

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  2. Pingback: Economia Criativa

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