Obama pela América- um pouco de sua viagem por Cuba e Argentina

por Marcelle Siqueira Santos.

Diferente da maioria dos ex-presidentes americanos que guardam o último ano de mandato para auxiliar nas eleições do partido ou cuidar da política interna, Obama resolveu sair por aí em uma tentativa de finalizar o máximo de assuntos que se propusera a resolver em seus anos de governo. Sua agenda abarca viagens que vão de Argentina até o Japão, mais especificamente em seu roteiro: uma viagem para Ásia, uma para Europa e uma para a América Latina [1]. De longe a mais simbólica e que marcou a última semana foi sua ida a Cuba.

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Obama em Cuba.

Após 88 anos sem visita presidencial por parte dos Estados Unidos, Cuba recebeu Barack H. Obama. O avião com Obama e sua família aterrissou em Cuba no dia 20/03 e foi uma festa! A viagem contou com uma comitiva de mais de 800 funcionários da Casa Branca, incluindo o secretário de Estado, John Kerry. A visita aprofunda a aproximação iniciada entre os países em dezembro de 2014. Dessa aproximação resultou a retomada das embaixadas nos respectivos Estados, bem como o aumento de relações econômicas. O último presidente a visitar o país vizinho de Miami foi Calvin Coolidge, em 1928, antes de iniciada o que conhecemos por Guerra Fria. Em 1959, Fidel Castro tomou o poder no país e em 1961 declarou Cuba um Estado socialista, piorando a relação entre os dois.  A situação se agravou mais ainda na crise dos mísseis, em 1962.

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Relações Cuba-EUA desde 1928.

Atualmente, nos EUA, moram mais de dois milhões de cubanos-americanos e há uma aproximação cultural (os cubanos adoram golfe, por exemplo), além da geográfica.  Um 1/3 (dos cubanos-americanos) vive em Miami. É crescente o número de americanos que apoiam a normalização das relações, 6 em cada 10,  segundo pesquisa divulgada no The New York Times [2]. Entretanto, mesmo com todo esforço de Obama e todo o simbolismo desta visita, é necessário auxílio do Congresso dos EUA para aprovar o fim do embargo [3].

Cabe ressaltar que Obama também abordou o tema dos Direitos Humanos, com certa crítica ao regime vigente, quando utilizou tempo em reunião com dissidentes cubanos, incluindo líderes da sociedade civil e mulheres influentes [4]. Já acerca da política externa dos EUA na América Latina, a retomada de relações com havana pode demonstrar fortalecimento de influencia nesta região. Isso aumentará mais ainda caso haja uma mudança no regime ou seu colapso (em Cuba).

            Além dessa visita histórica, épica e simbólica (mil fotos lindas dele *-*), o presidente seguiu direto ao país do Tango (e dançou, inclusive) [5]. Essa visita encerra período de tensões entre os EUA e a era Kirchnerista, dando aval ao rumo a ser tomado pelo novo presidente eleito Mauricio Macri. A data de sua visita coincidiu com o aniversário de 40 anos do golpe militar na Argentina, o que fez Obama sofrer duras críticas da imprensa do Estado, entretanto ele utilizou a situação para mostrar reconhecimento às vítimas da ditadura, tentando diminuir a imagem negativa dos EUA que foi um dos principais apoiadores dos golpes na América Latina [6].

            Assim, podemos afirmar que mesmo sem obter sucesso em todos os assuntos de política externa que se prestou a resolver, principalmente em relação ao Oriente Médio, questão Israel-Palestina e Irã, Obama deixará legado em relação a Cuba e a Argentina.

Marcelle Siqueira Santos é graduanda de Relações Internacionais na Universidade do Estado do Rio de Janeiro cursando o sétimo período. Pesquisadora do núcleo de análise da conjuntura na Escola de Guerra naval e pesquisadora do laboratório de estudos de imigração da UERJ.

Referências:

[1] FOREIGN-POLICY TRIPS FILL OBAMA’S SCHEDULE FOR FINAL YEAR. Nova York, 2 jan. 2016. The New York Times website.  Disponível em: <http://www.nytimes.com/2016/01/03/us/foreign-policy-trips-fill-obamas-schedule-for-final-year.html?_r=0> Acesso em: 24. março 2016.

[2] OBAMA VISITS CUBA.  Nova York, 21. Março 2016. The New York Times website. Disponível em: < http://www.nytimes.com/interactive/projects/cp/international/obama-in-cuba/most-americans-support-ending-cuba-embargo-nyt-poll-finds>. Acesso em: 24. Março. 2016.

[3] OBAMA’S CUBA RESET IS NOW IN THE HANDS OF CONGRESS. TOO BAD IT WON’T BUDGE. 21. Março. 2016. Disponível em: <http://foreignpolicy.com/2016/03/21/obamas-cuba-reset-is-now-in-the-hands-of-congress-too-bad-congress-wont-budge/?utm_source=Sailthru&utm_medium=email&utm_campaign=New+Campaign&utm_term=*Editors+Picks>. Acesso em: 24. Março. 2016.

[4]  OBAMA SPEND ALMOST 2 HOURS WITH CUBAN DISSIDENTS. New York, 22. Março. 2016. The New York Times website. Disponível em: < http://www.nytimes.com/interactive/projects/cp/international/obama-in-cuba>. Acesso em: 24. Março. 2016.

[5] WATCH OBAMAS DANCES THE TANGO IN ARGENTINA. EUA, 24. Março. 2016. CNN website. Disponível em: <http://edition.cnn.com/2016/03/23/politics/obama-dancing-tango-argentina/index.html?sr=fbCNN032416obama-dancing-tango-argentina0227AMVODtopVideo&linkId=22633395>. Acesso em: 24. Março. 2016.

[6] OBAMA CHEGA À ARGENTINA. 23. Março. 2016. El País website.  Disponível em: < http://brasil.elpais.com/brasil/2016/03/23/internacional/1458730293_412564.html?id_externo_rsoc=FB_CM>. Acesso em: 24. Março. 2016.

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