Como a tecnologia afeta nossa saúde?

por Julia Zordan

      Já falamos anteriormente aqui no Furor sobre o impacto da evolução tecnológica nas nossas vidas. Também comentamos o impacto da tecnologia na vida dos refugiados. Dessa vez voltamos a falar sobre tecnologia, mas sobre seu impacto em uma área muito importante das nossas vidas: a saúde.

            A tecnologia exerce um papel fundamental no que diz respeito às campanhas de conscientização e prevenção de uma série de doenças. Fortes exemplos disso são a veiculação de vídeos esclarecendo a população sobre os sintomas de doenças como dengue e zika, sobre a importância de exterminação de focos de proliferação do mosquito – até mesmo falando diretamente para as crianças –, e campanhas como o Outubro Rosa e o Novembro Azul, que visam a prevenção do câncer de mama e do câncer de próstata, respectivamente.

            Cada vez mais as pessoas usam a tecnologia como base para uma rede de incentivo e de disseminação de informações sobre a adoção de um estilo de vida mais saudável. São inúmeros os sites e perfis de redes sociais que dão dicas de exercícios físicos, dicas de receitas fitness e informações sobre os sintomas e a convivência com uma série de doenças. Há uma vasta quantidade de aplicativos disponíveis para várias plataformas que oferecem aos usuários a possibilidade de registros de alimentos ingeridos, de atividade física realizada e até mesmo de controle da quantidade de água que a pessoa deve tomar, além de fóruns onde as pessoas tratam de suas experiências, incentivando e apoiando umas às outras.

            Mas nem tudo são flores. Também há efeitos negativos. Com o uso mais frequente da tecnologia, muito do nosso dia-a-dia foi facilitado, mas as pessoas precisam cada vez menos sair de casa, se movimentar, para resolver uma série de questões. Assim, o número de sedentários aumentou significativamente. Segundo dados de 2013, 45,9% dos brasileiros não praticam qualquer atividade física [1]. Outro problema verificado é o registro cada vez maior de pessoas com dificuldade para dormir devido ao uso de aparelhos eletrônicos.

      Recentemente cientistas realizaram uma pesquisa [2] para saber como os principais sistemas de inteligência artificial disponíveis em smartphones, as chamadas “assistentes pessoais”, como a Siri, da Apple, e a Cortana, da Microsoft, responderiam no caso de seus usuários lhes dizerem que tinham sido estuprados, que estavam tendo um ataque cardíaco ou que estavam pensando em cometer suicídio. A conclusão à qual os cientistas chegaram é a de que estes sistemas apresentam substanciais falhas nesse sentido, sendo um campo de oportunidade inexplorada para a saúde pública. Além disso, há uma série de correlações feitas entre o uso de redes sociais e o agravamento de doenças como depressão e ansiedade [3].

      O que vemos, no entanto, é que a questão dos impactos da tecnologia sobre a saúde dos usuários não é algo que passa despercebido. As desenvolvedoras estão atentas a estes impactos, e procurando propor soluções para eles. A Apple, por exemplo, inseriu como aplicativo obrigatório em seus sistemas operacionais desde o iOS8 o Health Kit, que cataloga uma série de dados acerca da saúde do usuário (como medidas, batimentos cardíacos, números de passos dados no dia, etc.) e que o ajudam a ter mais controle sobre sua saúde [4]. Além disso, a versão mais recente de seu sistema operacional, lançada semana passada, inclui um recurso que reduz a emissão de luzes azuis no aparelho depois de o anoitecer, como forma de não atrapalhar o sono dos usuários [5].

      O fato é que nossa saúde, tanto física quanto mental, é afetada pela forma como usamos a tecnologia. Ao mesmo tempo em que a tecnologia tem o potencial de trazer uma série de malefícios à nossa saúde, parece que há um esforço, por parte das próprias companhias, em oferecer formas de minimizar estes efeitos, e até mesmo de cuidar melhor da nossa saúde. No entanto, quando se diz respeito à saúde pública, ainda há um grande caminho a ser percorrido para que se atinja o potencial máximo de uso da tecnologia em favor de uma população mais saudável, tanto física quanto mentalmente.

Referências:

[1] BRASIL. A Prática de Esporte no Brasil. Brasília, 2013. Disponível em: <http://www.esporte.gov.br/diesporte/2.html&gt;. Acesso em 28 março 2016.

[2] GRINBERG, Emanuella. ‘Siri, I was raped’: Study compares smartphone responses in crises. CNN. Atlanta. 14 de março de 2016. Disponível em: <http://edition.cnn.com/2016/03/14/health/smartphone-responses-rape-violence/index.html&gt;. Acesso em 15 março 2016.

[3] JAFFE, Lorne. 5 Reasons Why Facebook Can Be Dangerous for People With Depression. Huffpost Healthy Living. New York. 18 de maio de 2015. Disponível em: <http://www.huffingtonpost.com/lorne-jaffe/5-reasons-why-facebook-is_b_7295816.html&gt;. Acesso em 29 março 2016.

[4] TECHRADAR. How To Use Apple’s Health App. Techradar. Londres. 18 de março de 2016. Disponível: <http://www.techradar.com/how-to/phone-and-communications/mobile-phones/how-to-use-apples-health-app-1305634&gt;. Acesso em 29 março 2016.

[5] BELL, Karissa. New iOS 9.3 feature will make reading at night easier on your eyes. Mashable. São Francisco. 11 de janeiro de 2016. Disponível em: <http://mashable.com/2016/01/11/ios-night-shift-feature/#A47zn.d8iaqm&gt;. Acesso em 29 março  2016.

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