Desabafo de um Viajante n’Asarábias

por Daniel Milhomens*

Como alguns já sabem, nas últimas férias de início de ano eu tive a oportunidade de visitar a Palestina. Essa viagem não teve exatamente o perfil de turistar na holy land, fui de alguma forma em busca de uma narrativa, de uma história sistematicamente marginalizada.

Em primeiro lugar, caro leitor, gostaria de convida-lo a descobrir sobre esse lugar muito especial. Assim como eu me surpreendi, acredito que vocês também vão se “chocar” com coisas que nunca imaginaria. Na Palestina neva e faz frio Continuar lendo

Obama pela América- um pouco de sua viagem por Cuba e Argentina

por Marcelle Siqueira Santos.

Diferente da maioria dos ex-presidentes americanos que guardam o último ano de mandato para auxiliar nas eleições do partido ou cuidar da política interna, Obama resolveu sair por aí em uma tentativa de finalizar o máximo de assuntos que se propusera a resolver em seus anos de governo. Sua agenda abarca viagens que vão de Argentina até o Japão, mais especificamente em seu roteiro: uma viagem para Ásia, uma para Europa e uma para a América Latina [1]. De longe a mais simbólica e que marcou a última semana foi sua ida a Cuba. Continuar lendo

Rupturas do Silêncio — Agonia, Relações, Empatia

por Carlos Frederico Pereira da Silva Gama.

Because if it’s not Love
Then it’s the bomb, the bomb, the bomb
The bomb, the bomb, the bomb, the bomb
That will bring us together

Porque se não for o Amor
Então será a bomba, a bomba, a bomba
A bomba, a bomba, a bomba, a bomba,
Que nos unirá (tradução livre).

Smiths, “Ask” [1].

Era quinta-feira. Começo de um novo semestre em Belo Horizonte. Depois do café apressado, meu pai nos levou ao colégio. 6ª série do ensino fundamental. A subida da Praça da Liberdade, o motor a álcool esquentando e a curiosidade da aula de história. Estava quase acabando o Perestroika de Mikhail Gorbatchev. Ganhei no aniversário de 10 anos. O Muro de Berlim já tinha caído e novas ideias eram praticadas na União Soviética. Na TV os jornalistas e o Presidente Collor falavam em terceira guerra mundial. Racionamento de combustível veio junto com uma aliança contra o inimigo da paz: Saddam Hussein.

Da janela do carro, já fora de linha, no sinal de trânsito vejo um menino. Ele segura um jornal do dia 14 de Fevereiro de 1991. Sinal fechado. “Coalizão liderada pelos EUA bombardeia abrigo no Iraque”. Num piscar de olhos, éramos muitos. A bordo, os quatro meninos indo para a escola. Na rua, o menino do jornal. Na mão, crianças mortas. Travados pelas circunstâncias, separados por muros imaginários e tetos de vidro, não nos víamos. Era confortável desconhecer. O mundo era uma folha em branco e nossa imaginação, rascunhos. Naquele instante passamos a existir em concretudes incômodas, uns para os outros. O olhar que escorre para fora da página.

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Olhando o passado para compreender o presente.

por Mônica Aguiar.

          Quando eu tinha 9 anos fiquei muito impressionada com uma fotografia que correu o mundo e eventualmente ganhou o prêmio Pulitzer. Tratava-se de uma menina vietnamita de minha idade, correndo nua por uma estrada e com o rosto deformado pelo choro e pelo medo. Por mais que eu tentasse, não conseguia entender as complexidades da Guerra do Vietnã e atribuía essa dificuldade ao fato de ter chegado tarde à História e ter perdido os “capítulos anteriores”. Acreditava que ao me tornar adulta e acompanhar desde o início o desenrolar de um acontecimento seria mais fácil entender as guerras ao meu redor. Os anos se passaram, mas essa sensação de estranhamento nunca me abandonou por completo. Terminei por me dar conta de que os acontecimentos políticos que vemos por aí respondem a dinâmicas cujas origens são mais distantes do que uma geração humana.

          Outro dia, ao assistir a XII Conferência de Segurança Internacional promovida pela Fundação Konrad Adenauer, tive a oportunidade de ouvir o palestrante russo manifestar-se sobre a atuação de seu país na Criméia e na Síria. Verdade seja dita, ele esquivou-se o máximo possível do assunto sob o pretexto de que o Ocidente não compreendia a perspectiva russa. Dentro do espírito do meu parágrafo anterior, resolvi refletir sobre aquela afirmação e buscar no passado as motivações para as decisões tomadas por Moscou no campo das Relações Internacionais. Continuar lendo

Em busca das relíquias perdidas

por Clarissa Reis Guimarães.

Após o texto extremamente bem escrito do Franco, não pude deixar de aproveitar o gancho para falar do meu objeto de pesquisa e da minha paixão de infância: antiguidades e obras de arte. Sou daquelas que adora um museu e me esbaldo quando viajo para algum lugar e posso ter o contato com todo aquele clima de sabedoria, de reverência e opulência relacionada ao passado.

O único problema, que aprendi com a pesquisa, é que nesse mundo, nem tudo é o que parece.

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FUROR INDICA: Ardil 22 de Joseph Heller


por Ariane Francisco.

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12345Ardil 22[1] é o livro de narrativa mais singular que já li. Não linear na sua maior parte e tendo cada capítulo dedicado a um personagem e seu ponto de vista sobre um evento, é aos poucos que cada evento vai se articulando, assim como as consequencias que produziu para um acontecimento já comentado. Sob meu ponto de vista, não existe um início ou meio, nós somos jogados na estória e começamos a perceber a vida dos personagens a partir do momento em que o autor quer que começe; já na ilha, na guerra, já tendo voado mais de 40 missões – quantas missões cada oficial deve voar para ser dispensado da guerra é um dos plots importantes do livro. No fim, e sempre há de existir um fim em um livro – que não necessariamente quer dizer uma lição de moral, a morte do vilão ou viveram felizes para sempre -, personagens tão singulares inseridos em um contexto de tamanha pressão acabam se tornando se não nos destinos, iguais em sentimentos. Continuar lendo

A Redução da Maioridade Penal foi Reprovada! Vida Longa à Redução da Maioridade Penal!

por Pedro Bedim

Sem querer entrar na discussão sobre a redução da maioridade penal em si, a própria votação da questão já possui fatores duvidosos. Se você não entendeu nada sobre as últimas reviravoltas do reality-show da TV Câmara, então esse texto lhe serve.

A começar pelo começo. A Proposta de Emenda Constitucional 171/93, que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos de idade, foi apresentada pelo ex-deputado Benedito Domingos (PP-DF), em 1993, ficando parada nas gavetas da Câmara desde então. No entanto, a partir das eleições de 2014, com o candidato à presidência do PSDB (Aécio Neves) resgatando o debate da redução e com a eleição da Câmara mais conservadora desde 1964, a PEC foi desengavetada.

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Sem traumas

por Ana Luiza Goulart

12345Sei escrever crônicas, sei escrever artigo. Não sei escrever post. Quando me convidaram para contribuir com conteúdo para este blog eu logo entendi que teria que me virar muito para falar de algo interessante. Este espaço é feito por apaixonados, por entusiastas das Relações Internacionais e sinceramente, esta não sou eu.  Fiquem então, caros leitores, com as desventuras de uma graduada em RI que no fim das contas mudou de área mas, se pudesse voltar no tempo, não teria feito uma faculdade diferente. Continuar lendo

Estamos protegidos da homofobia?

por Rogerio Sganzerla

A linguagem usada no cotidiano está implicitamente cheia de preconceitos e discriminações. Cita-se como exemplo a intolerância religiosa, discriminação racial, idosos, deficientes físicos, mulheres e homofobia. Este último, por várias razões sociológicas, é um dos que tem mais problemas na atualidade em termos de proteção legal. É como aquele candidato político inelegível que possui alta taxa de aprovação e alta taxa de rejeição: ninguém quer apoiá-lo e muito menos defendê-lo.

Apesar de estar sendo um pouco radical no exemplo citado, certo é que a homofobia caminha em passos (muito) lentos para uma proteção efetiva da população. Apesar dos diversos avanços na sociedade, é possível contar nos dedos os reais direitos que a população LGBT possui. Continuar lendo

Lá vem Hillary de novo. E, por quê não?

por Guilherme France

Hillary Clinton anunciou, nesse domingo, que está concorrendo à nomeação do Partido Democrata para a Presidência dos Estados Unidos. Sim, de novo.

Como assim? Essa mulher não desiste nunca? Ela realmente faria qualquer coisa para ganhar o poder, não é? Será que ela só pensa nela e na Casa Branca? São grandes as chances de você ter se questionado essas e outras perguntas mais quando soube do anúncio. Minha vez de fazer uma pergunta: você teria se perguntado essas coisas se ela fosse um homem?!

Mas calma, talvez esteja me adiantando. Voltamos a esse ponto em algumas linhas. Antes, quem é Hillary Rodham Clinton? Continuar lendo