Como a tecnologia afeta nossa saúde?

por Julia Zordan

      Já falamos anteriormente aqui no Furor sobre o impacto da evolução tecnológica nas nossas vidas. Também comentamos o impacto da tecnologia na vida dos refugiados. Dessa vez voltamos a falar sobre tecnologia, mas sobre seu impacto em uma área muito importante das nossas vidas: a saúde.

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Obama pela América- um pouco de sua viagem por Cuba e Argentina

por Marcelle Siqueira Santos.

Diferente da maioria dos ex-presidentes americanos que guardam o último ano de mandato para auxiliar nas eleições do partido ou cuidar da política interna, Obama resolveu sair por aí em uma tentativa de finalizar o máximo de assuntos que se propusera a resolver em seus anos de governo. Sua agenda abarca viagens que vão de Argentina até o Japão, mais especificamente em seu roteiro: uma viagem para Ásia, uma para Europa e uma para a América Latina [1]. De longe a mais simbólica e que marcou a última semana foi sua ida a Cuba. Continuar lendo

O problema afeta todos nós – relatos da Palestina

por Thaís Queiroz

[Este texto foi publicado originalmente no dia 1º de março pela própria autora em sua rede social. Ela retornou da Palestina no final do mês de fevereiro de 2016]

“Hoje li esta notícia: Dois soldados israelenses se perderam usando o Waze (aplicativo que indica os melhores caminhos para chegar ao destino desejado) e acabaram entrando em um campo de refugiados perto de um dos piores e mais chatos check-points de Israel (pelo qual passei diversas vezes), Qalandia, e, quando estavam no campo, os palestinos jogaram coquetéis molotov no carro. Os dois soldados fugiram e se esconderam no campo e, para resgatá-los, uma operação militar Israelense foi acionada. Em decorrência, um palestino, estudante universitário, de 22 anos foi morto, 4 foram feridos com tiros, 12 outros foram feridos com balas de borracha e efeitos do gás lacrimogêneo e 10 soldados israelenses foram feridos, um mais gravemente e nove já liberados do atendimento hospitalar. A operação aconteceu entre as 22h e as duas e meia da manhã de hoje.

Sei que a primeira reação de alguns ao ler esta notícia seria “que horror estes terroristas jogando coquetéis molotov no carro dos soldados”. E olha o que tudo isso causou.

E compreendo esta reação: isto é o que conseguimos enxergar em nossos meios de comunicação. Os sites de internet, as notícias acessíveis a nós são estas: são pessoas que se explodem para matar outras pessoas, são pessoas que esfaqueiam outras pessoas. E tudo isso é real. Tudo isto não é inventado ou aumentado. Estas ações existem.

O que não temos, no entanto, é um “background” do que acontece “no outro lado”.  Estas notícias não chegam. Não que matar alguém seja certo quando temos uma justificativa. Nada justifica. Mas é preciso tentar entender os motivos para poder diagnosticar corretamente os sintomas.

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Arábia Saudita: O bonito, o feio e o futuro

por Felipe Teixeira

Em meio as economias emergentes do mundo (que em sua maioria passam hoje por problemas políticos e econômicos) uma se destaca nos meios de comunicação sobre política internacional, nos noticiários econômicos e na maioria dos grandes eventos diplomáticos. Esse país, apesar de não possuir uma economia gigante como o G7[1] ou o E7[2] nunca fica distante de qualquer análise de Relações Internacionais que se preze.

Líder de fato de diversas organizações regionais, políticas e religiosas a Arábia Saudita é um agente fundamental nos jogos políticos mundiais por um motivo simples: petróleo. O ouro negro concedeu uma dádiva da riqueza aos países ao redor do Golfo Pérsico, porém são os sauditas que controlam a maior parte desse tesouro. Dentre as monarquias ao redor do golfo a Arábia Saudita possui o maior território, a maior economia e a maior população por uma ampla margem. Esses fatores, além da posse histórica de locais sagrados para os praticantes do islamismo (Meca e Medina) trazem para esse agente uma ampla margem de poder que é efetivamente utilizada.

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Entendendo as (complicadas) eleições americanas e as propostas de cada candidato

por Franco Alencastro e Sergio Azeredo da Silveira Jordão.

Na terça feira, 1º de março, ocorreu a Super Terça, nos EUA. A votação do Partido Republicano, simultânea com a do Partido Democrata, viu o controverso bilionário e apresentador de reality shows Donald Trump conseguir uma vitória impressionante: levou 7 dos 11 estados em disputa, com margens variando de 33% a 49%, se saindo bem em estados como Alabama, Massachussets e Tennessee. Mais impressionante ainda, na primária do Partido Democrata, Hillary Clinton, que até então enfrentava algumas dificuldades frente ao seu principal competidor, o Senador Bernie Sanders, conseguiu vitórias acachapantes em 7 dos 11 estados, com margens mais do que seguras: entre 64% (Virgínia) e 78% (Alabama). Sanders só se destacou mesmo em seu pequeno estado natal, Vermont, onde conseguiu 86% dos votos, e mais 3 estados.

Espera, mas o que tudo isso quer dizer? Todos esses números? A Hillary foi eleita presidente dos EUA? Ou o Trump (pelo amor de Deus, não diga que é o Trump)? Calma, calma. Não é nada disso. O que acontece é que o sistema americano para eleger o presidente é complicado – muito mais complicado que o nosso, por  exemplo. Continuar lendo

Mulheres da Vila Autódromo

por Marina Sertã

Estar na Vila Autódromo, ou mesmo o caminho para lá, passa por testemunhar vários tipos de imponência. Começa pela imponência da arquitetura da Barra da Tijuca, com seus prédios, centros empresariais e shopping centers monstruosos e suas largas avenidas. Passa pelas construções do parque olímpico, com uma arena enorme para cada modalidade de esporte, e pelos gigantes espelhados sendo erguidos próximos a Vila. Até chegar às casas, as que foram e as que são. E recai sobre a imponência do silêncio dos espaços que há pouco guardaram vidas e das casas que ainda resistem.

Mas talvez a maior imponência na Vila Autódromo seja – mesmo com seus espaços que contam histórias, mesmo com as suas casas que lutam desafiam todo poder da autoridade e do dinheiro – a das mulheres.

Não há como não entrar na Vila Autódromo e não ser agraciado com uma bênção da Dona Penha, uma palavra de carinho da Nathália, um abraço da Sandra Maria, um sorriso da Sandra Regina. É impossível deixar passar as presenças da dona Denise e Dalva. É impossível não se perceber a firmeza da Rafaela e a paz da Sofia Valentina. Admirar tudo o que representa a Heloísa Helena e a perseverança da Conceição. E tantas outras imponências mais de tantas outras mulheres.

Ser mulher e acompanhar a luta de resistência da Vila Autódromo é encontrar modelos dessa imponência que se coloca das mais diferentes formas. Dessas mulheres que são maiores que os prédios espelhados e complexos esportivos que as cercam. Que têm uma presença mais forte que todas as centenas de guardas municipais que cercam as casas a serem demolidas. Que têm uma voz mais alta que todos o microfones e alto-falantes.

Ser mulher e apoiar a luta de resistência da Vila Autódromo é me curvar diante dessas mulheres-entidades e tomar cada momento na presença delas como aprendizado. É aprender a força que permanecer demanda. É aprender um significado para ‘permanecer’ que nada tem a ver com inércia, mas com a força sobre-humana de uma luta diária. É aprender que ter fé é rezar, acreditar, confiar e, sobretudo, lutar. É testemunhar sorrisos e carinho nos momentos mais inconsoláveis, e entender a que é deles que vem a força para superá-los.

Hoje, na ALERJ, um pouco dessa imponência é reconhecida, em uma homenagem a ser prestada a dona Penha. O que eu desejo para a dona Penha – assim como a todas as mulheres da Vila Autódromo – é que além das homenagens, elas tenham respeitado o seu direito de permanência nas suas casas. E o que eu desejo para todas nós, é o privilegio de continuar aprendendo com elas.

[edição] Hoje, pela  manhã, minutos depois da postagem deste texto, recebemos a notícia que, além da homenagem, dona Penha também receberia a demolição de sua casa.

Viva a Vila Autódromo!

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Aceite o Desafio #UrbanizaJá

Remoções: Vila Autódromo

por Marina Sertã

A luta de resistência da Vila Autódromo tem passado por momentos cruciais nas últimas semanas. Na última semana, a sede da Associação de Moradores foi demolida e as casas das moradoras Maria da Penha Macena e Rafaela Silva estão sob a mesma ameaça. Neste contexto, moradores e apoiadores lançam campanhas para a conscientização e mobilização da população em geral sobre a luta da Vila Autódromo. Neste texto, eu busco trazer informações essenciais sobre essa luta de resistência para os que têm recentemente entrado em contato com ela. Continuar lendo

3 meses de Macri: Cuidado para não dançar!

por Franco

A eleição de Maurício Macri para Presidente da Argentina em Novembro último fez com que os jornais brasileiros derramassem muita tinta e fizessem pouca análise. Via de regra, a reação à sua vitória foi um espelho de seu posicionamento frente à Presidente Cristina Kirchner (que governou entre 2007 e 2015), e nos dizem menos sobre as posições e propostas do candidato do que sobre o apoio ou rejeição dos brasileiros à “Dinastia K”. Pela conexão do casal K com a “onda esquerdista” latino-americana dos anos 2000, elogiar Macri e criticar Cristina Kirchner permite transformar a Argentina, por meio de uma comparação muito preguiçosa, em um fantasma da situação política do Brasil, e para a direita brasieira festejar a vitória de Macri como a vitória de “um dos nossos”. Continuar lendo

O que descobri sobre o significado de possuir dois passaportes.

por Thaís Queiroz

Devo dizer que não são tão poucas as pessoas que conheço por aqui que têm dois passaportes: normalmente o seu brasileiro e um outro que geralmente é europeu, seja ele português, alemão, francês, italiano etc. Isto acontece porque estas pessoas têm o que chamamos de dupla nacionalidade, ou seja, às vezes um dos pais tem outra nacionalidade ou a criança nasceu em outro país… São muitos os casos. E no fim das contas, pelo que até hoje percebi, ter um passaporte europeu é muito legal. Eu mesma já desejei em algum momento da minha vida ter mais um passaporte. Ia facilitar tanta coisa que quero fazer…

Entretanto, o que eu nunca havia percebido, até três semanas atrás, quando vim aqui para o outro lado do mundo, é que existem situações em que dois passaportes podem ter um significado completamente desalinhado do que o que eu estava acostumada. Esta descoberta foi feita em uma conversa com um amigo palestino.  Eu conheci este meu amigo em Continuar lendo

Disputa Marítima entre Israel e Líbano e o contingente brasileiro nessa fronteira

por Sergio Azeredo da Silveira Jordão.

           O Oriente Médio é uma região muito complexa, acho que podemos concordar com isso. Uma vez ouvi uma professora, especialista na região, dizendo que se você acha o Oriente Médio confuso, então você está no caminho certo. Algumas das suas questões datam de milênios e algo novo acontece toda semana, tornando-as mais complexas. Meu objetivo neste post é adicionar mais um fator complicador: a disputa entre o Estado Israel e a República Libanesa pela delimitação da fronteira marítima entre os dois países e, por conseguinte, da extensão da Zona Econômica Exclusiva (ZEE) de cada um. Diferentemente da análise que eu fiz no ano passado, sobre as disputas no Mar do Sul da China à luz do Direito do Mar, aqui não pretendo tentar achar nem uma resposta ou solução para tal conflito, nem dizer quem está certo ou errado, não sou pretencioso de achar que tenho tais respostas. Assim, pretendo apenas informar sobre a existência de mais um conflito no Oriente Médio. Mas, por que esse especificamente? Primeiro porque me interesso por disputas marítimas. E, segundo, porque 200 militares brasileiros estão nessa fronteira integrando a Força Tarefa Marítima (FTM) da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL, do inglês United Nations Interim Force in Lebanon). Portanto, qualquer beligerância na região, principalmente no mar, deveria ser do nosso interesse e ter nossa redobrada atenção. Continuar lendo