Arábia Saudita: O bonito, o feio e o futuro

por Felipe Teixeira

Em meio as economias emergentes do mundo (que em sua maioria passam hoje por problemas políticos e econômicos) uma se destaca nos meios de comunicação sobre política internacional, nos noticiários econômicos e na maioria dos grandes eventos diplomáticos. Esse país, apesar de não possuir uma economia gigante como o G7[1] ou o E7[2] nunca fica distante de qualquer análise de Relações Internacionais que se preze.

Líder de fato de diversas organizações regionais, políticas e religiosas a Arábia Saudita é um agente fundamental nos jogos políticos mundiais por um motivo simples: petróleo. O ouro negro concedeu uma dádiva da riqueza aos países ao redor do Golfo Pérsico, porém são os sauditas que controlam a maior parte desse tesouro. Dentre as monarquias ao redor do golfo a Arábia Saudita possui o maior território, a maior economia e a maior população por uma ampla margem. Esses fatores, além da posse histórica de locais sagrados para os praticantes do islamismo (Meca e Medina) trazem para esse agente uma ampla margem de poder que é efetivamente utilizada.

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O Acordo Nuclear entre o P5+1 e o Irã saiu!

por Sergio Azeredo da Silveira Jordão.

12345Finalmente saiu! Depois de 12 anos, várias propostas, idas e vindas, muitas acusações e muita desconfiança de ambos os lados, saiu um acordo final entre os Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia, China e Alemanha (o chamado P5+1 ou UE3+3) e o Irã sobre o programa nuclear iraniano. O chamado Plano Compreensivo de Ação Conjunta (JCPOA, sigla em inglês para Joint Comprehensive Plan of Action) foi assinado pelos 7 países e pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) em Viena na última terça-feira, dia 14 de julho, e marca uma mudança histórica nas relações entre o Irã com o resto do mundo, principalmente com os EUA e a Europa. Mas, o que é esse acordo? Por que ele é importante? E, por que um acordo era necessário? Espero conseguir responder a essas questões agora.

Reuters/Carlos Barria - Ministros do P5+1 e delegação iraniana na sede da ONU em Viena no dia 14 de julho. Da direita para a esquerda: chinês alemão, Federica Mogherini, Mohammad Javad Zarif, Ali Akbar Salehi (chefe da Organização de Energia Atômica do Irã), Sergey Lavrov, Philip Hammond e John Kerry

Reuters/Carlos Barria – Ministros do P5+1 e delegação iraniana na sede da ONU em Viena, 14 de julho. Da esquerda para a direita: Wang Yi, Laurent Fabius, Frank-Walter Steinmeier, Federica Mogherini (Chefe de Política Externa da UE), Mohammad Javad Zarif, Ali Akbar Salehi (chefe da Organização de Energia Atômica do Irã), Sergey Lavrov, Philip Hammond e John Kerry

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Jogando Petróleo no Ventilador Parte 2

por Sergio Azeredo da Silveira Jordão.

12345Minha vez. Vou me focar em outras regiões, principalmente as consequências para o Irã, Síria, Estado Islâmico (EI ou ISIS, sigla em inglês para Islamic State of Iraq and Syria), Rússia, China e Japão. Vou começar pelo mais complicado, pelo Oriente Médio. Acho importante fazer um pequeno resumo do ator que nós tanto falamos, a Arábia Saudita. O Reino da Arábia Saudita se consolidou como país em 1932, mas só descobriu petróleo em 1938. Hoje, ele é o maior produtor de petróleo do mundo (16% da produção mundial), uma das maiores reservas existentes, 266 bilhões de barris[1], e líder político da OPEP. O maior aliado árabe do Ocidente é uma monarquia regida pela religião sunita wahabista (vertente ultraconservadora do islamismo sunita), sua constituição é a sharia (lei islâmica baseada no Alcorão), todo o poder está concentrado nas mãos do Rei, não existem partidos políticos e as minorias são perseguidas/marginalizadas (como prevê o wahabismo). Essas características ajudam a explicar algumas das nossas suposições para o país manter o preço do petróleo baixo. Continuar lendo

Jogando Petróleo no Ventilador Parte 1

por Felipe Teixeira

Quando a Arábia Saudita – tida como líder político da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) – trouxe sua agenda política para os mercados internacionais de petróleo o mundo tremeu. Foi um golpe astuto, executado de forma que seus danos foram pequenos quando comparados aos de seus inimigos. A decisão da OPEP foi que os preços do petróleo iriam cair (e muito). Esse movimento mudou o cenário político mundial e nós estamos aqui para lhe contar o bafafa que isso deu![1]

Sergio e Felipe fizeram esses dois posts para lhes contar o que aconteceu com o mundo quando a Arábia Saudita decide brincar de jogar o petróleo no ventilador.

Jogando Petróleo no ventilador, Parte 1: Continuar lendo

Epitáfio Saudita

por Carol Grinsztajn

     Quem se deparou com as condolências dos grandes líderes mundiais na ocasião da morte do Rei Abdullah da Arábia Saudita  possivelmente ficou em dúvida se quem havia morrido era mesmo o monarca absoluto de um país onde mulheres são negadas direitos básicos e apedrejamentos são punições cotidianas. O rei foi chamado de “modernizador” “comprometido com a paz”, “um homem de sabedoria e visão” e um “amigo genuíno”.  Tudo isso na mesma semana em que a Arábia Saudita aparecia nas manchetes do mundo pela pena de chibatadas de um blogueiro oposicionista e pela decapitação de uma mulher acusada de matar a enteada.  Essas contradições levantam questões sobre um país dirigido por uma elite político-religiosa que segue uma das linhas mais fundamentalistas do islã, bem como sobre as relações entre a Arábia Saudita, seus vizinhos regionais e seus aliados ocidentais. Continuar lendo

Turbulência no Iêmen: Entendendo o caso dos Houthis

por Louise Marie Hurel 

Em setembro, mais especificamente no dia 21, um grupo xiita localizado no norte do Iêmen, seguiu o seu trajeto para a região central e tomou a capital do país, Sanaa. Renegados e marginalizados politicamente desde o inicio da guerra fria, os Houthis tem lutado por representatividade e mudança no sistema politico do Iêmen. Porém, mesmo após algumas rodadas de negociações entre o governo e o grupo em setembro, a tensão e resistência dos Houthis só aumentou. Sendo assim, logo após o anúncio dos cortes aos subsídios voltados para o setor petrolífero e as fracas negociações, o grupo tomou a decisão de controlar a capital… e conseguiram. Desde então, o alastramento dos Houthis tem provocado incômodos domésticos e regionais.

Mas afinal, quem são os Houthis? Continuar lendo