Furor Indica (pra caramba): Hamilton – An American Musical

por: Amanda Melo e Carol Grinsztajn

   Nessa semana e na ultima, as eleições norte-americanas passam por dois  importantes eventos: as convenções nacionais dos dois grandes partidos, Republicano e Democrata. Para quem vem acompanhando as convenções e as primárias, temos visto temas essenciais sendo discutidos apaixonadamente: imigração, racismo, o lugar da mulher na política, corrupção,  políticas econômicas. Posicionamentos sobre esses temas acompanham a política norte-americana  há tempos, mas talvez há mais tempo do que normalmente imaginamos- eles se desenvolvem com as próprias condições e contradições desde os primeiros governos norte-americanos. É claro que entede-los exige muita leitura e análise, mas o aprendizado sempre pode ser acompanhado de recursos que nos trazem reflexões e questionamentos, e arte normalmente é uma ótima companheira nessa viagem, então aqui vai a nossa indicação. Continuar lendo

Vida após a monografia ou O Limbo do graduado internacionalista

por Carol Grinsztajn

Essa história é verdadeira. Aconteceu com um amigo de um amigo meu. Ele passou toda a graduação em Relações Internacionais focado na área de pesquisa. Formado, ele pensou que o mais difícil da sua entrada no mundo acadêmico havia passado: sua monografia. Mal sabia ele que a etapa mais difícil não era escrever e sim publicar. Continuar lendo

Liberté, égalité, fraternité…laïcité?

por Carol Grinsztajn e Franco Alencastro

6 meses após os ataques do Charlie Hebdo, o debate sobre o lugar do Islã na sociedade francesa continua. Dessa vez, o foco da discussão é um velho tema que, com uma rápida polida, se tornou novo: O uso de símbolos religiosos nas escolas públicas francesas.

Vamos voltar no tempo, para o distante ano de… 2004. Nesse ano, o então presidente Jacques Chirac criou uma comissão chamada Stasi (nada à ver com a antiga polícia secreta da Alemanha Oriental. Embora…) com o objetivo de lidar com a questão dos símbolos religiosos usados por alunos nas escolas públicas: Seriam eles um desrespeito à separação entre a Igreja e o Estado?  Continuar lendo

40 anos do início da Guerra Civil Libanesa: fraturas e cicatrizes

por Carol Grinsztajn

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     No dia 09 de junho de 2015 O Furor realizou seu primeiro evento, o painel “40 anos do início da Guerra Civil Libanesa”, do qual tive a oportunidade de ser mediadora. O seguinte texto busca relatar e sintetizar algumas das discussões do painel e, ao mesmo tempo,  acrescentar algumas reflexões e análises sobre o tema. 

     Eu achei que sabia onde estava me metendo quando comecei a estudar o Líbano. Como descendente de libaneses, achava que me salvaria das escorregadas analíticas e como estudante de Relações Internacionais, achava que tinha os instrumentos necessários para compreensão.  Estava enganada. O Líbano apresenta uma série de desafios para os instrumentos tradicionais das Relações Internacionais, que entendem o Estado como unitário, racional, laico (na verdade, ao longo da graduação, me parece cada vez mais claro que nesse aspecto, ele não é uma exceção).

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     O painel “40 anos do início da Guerra Civil Libanesa”, organizado pela equipe d’O Furor, surgiu dessa necessidade de buscar diferentes perspectivas sobre um assunto que reflete a complexidade libanesa, e ao mesmo tempo possui um impacto amplo e duradouro nas questões geopolíticas do Oriente Médio. Continuar lendo

Polícia para quem precisa

por Carol Grinsztajn 

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Baltimore, Curitiba, Tel Aviv. O que essas cidades têm em comum? Provavelmente não muita coisa. Mas nas últimas semanas essas três cidades estiveram na mídia por causa de situações semelhantes: violência policial contra manifestantes. Obviamente cada um desses casos possui suas especificidades que merecem um post à parte e também não ignoro os relatos de iniciativas violentas por parte dos manifestantes, que são sim significativos. Mas ao escutar essas noticias, não pude deixar de notar a questão do confronto com a polícia como elemento gritante de como se estruturaram esses casos (e muitos outros recentemente: vide os embates durante os protestos em 2013 no Brasil, protestos contra austeridade na Espanha, protestos contra o regime no Egito, enfim, os exemplos são inúmeros). Não pretendo dar nenhum parecer ou análise, nem sou apta pra isso, mas em momentos em que situações como essas são tão frequentes nas manchetes, e em contextos tão diferentes, acho importante que criemos espaço para reflexões sobre a própria polícia e questões que vem sido levantadas em relação a essa instituição (convido o leitor a compartilhar as suas reflexões também). Continuar lendo

Furor Indica: Invertendo os papéis

por Carol Grinsztajn.

     Há alguns meses- na ocasião do lançamento de mais uma versão da música Do They Know Is Chrismas pra arrecadas fundos para a “África”- eu escrevi um post sobre a nossa visão da “África” como um grande “país” só esperando para ser salvo da violência, epidemias e fome. Graças à indicação da Thaís, comecei a encontrar vários vídeos que materializam essa crítica através do humor.

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Epitáfio Saudita

por Carol Grinsztajn

     Quem se deparou com as condolências dos grandes líderes mundiais na ocasião da morte do Rei Abdullah da Arábia Saudita  possivelmente ficou em dúvida se quem havia morrido era mesmo o monarca absoluto de um país onde mulheres são negadas direitos básicos e apedrejamentos são punições cotidianas. O rei foi chamado de “modernizador” “comprometido com a paz”, “um homem de sabedoria e visão” e um “amigo genuíno”.  Tudo isso na mesma semana em que a Arábia Saudita aparecia nas manchetes do mundo pela pena de chibatadas de um blogueiro oposicionista e pela decapitação de uma mulher acusada de matar a enteada.  Essas contradições levantam questões sobre um país dirigido por uma elite político-religiosa que segue uma das linhas mais fundamentalistas do islã, bem como sobre as relações entre a Arábia Saudita, seus vizinhos regionais e seus aliados ocidentais. Continuar lendo

A “África”, o Natal e a Ebola

por Carol Grinsztajn

     Quem pensaria em escrever uma música para arrecadar fundos para combater a fome na África que incluísse a frase “antes ele do que eu”? Aparentemente Bob Geldof. Estou falando da famosa Do They Know Its Chrismas?, lançada em 1984 como uma das primeiras inciativas para chamar atenção do público anglófono para a fome na África e que deu origem à iniciativa Live Aid e Live8. A música já foi regravada diversas vezes (essa primeira frase foi alterada, ainda bem) e a versão desse ano mudou o foco da arrecadação da fome para a Ebola (sem entretanto se dar o trabalho de mudar o refrão “Feed the World”). Não me leve a mal, eu gosto muito de vários trabalhos do Bob Geldof e não levantei da frente da TV durante todas as 10 horas de transmissão do Live 8 na MTV em 2005. Mas apesar das intenções nobres, a letra da música e iniciativas como essa são um exemplo da forma bastante questionável (que aliás fez com que alguns cantores desistissem de participar da iniciativa) sobre como entendemos essa “coisa” que é “A África” e a nossa relação com as suas mazelas , exemplificadas aqui pela devastadora epidemia de Ebola. E é disso que vamos tratar (brevemente) tendo a música de Geldof como base. Continuar lendo

Conflito em degradê

por Carol Grinsztajn

     Já falei anteriormente que me vejo como um pontinho na complexa rede de acontecimentos no Oriente Médio. Bom, eu ia escrever sobre outros temas essa semana, mas um acontecimento específico me tirou o chão e, como um pontinho, me fez sentir desesperadamente impotente. Na terça feira passada, dois homens entraram em uma sinagoga em Jerusalém e mataram quatro rabinos e um policial druzo. Colocando esse triste atentado em seu devido contexto, ele mostra um preocupante evento em meio à escalada de tensões das relações entre israelenses e palestinos, no que muitos andam chamando de Intifada Silenciosa (e outros, apenas de 3a Intifada). Existem muitos especialistas por aí muito melhor qualificados do que eu pra explicar todo esse contexto. Quero abordar aqui uma face de acontecimentos como esse que quase sempre é citada, mas pouquíssimas vezes recebe muita atenção (ou cuidado): a “questão” religiosa. Continuar lendo

Quando os fatos corroboram a sua hipótese

por Carol Grinsztajn

      Já me declaro culpada desde o início. Meu artigo já estava pronto (atualmente na fila pra ser publicado em breve, se D’s quiser). A hipótese bonitinha, fechadinha. O artigo trata sobre declarações de Estado de Emergência no Egito, o que inclui, para ser muito (muito) breve,  restrições às liberdades de assembleia, censura, tortura, prisões e condenações arbitrárias, entre várias outras coisas. O texto passa pelo Estado de Emergência declarado em cada governo egípcio nos últimos 100 anos, e, como não sou profeta,  termina logo após a eleição de Sisi, quando eu terminei de escrever.  Não dava pra saber o que viria depois. Continuar lendo