Por que o de cima sobe e o de baixo desce?

Por Felipe Teixeira

“Analisando essa cadeia hereditária
Quero me livrar dessa situação precária
Onde o rico cada vez fica mais rico e o pobre cada vez fica mais pobre
E o motivo todo mundo já conhece,
E que o de cima sobe e o de baixo desce”

Tendo em mente as sábias palavras em “Xibom Bombom” do grupo de axé music “As Meninas”, você já se perguntou o que provoca essa dinâmica?

Em épocas de arrastões e crises de migração, vale trazer a tona conceitos que complexifiquem os debates. Para aprofundar os argumentos essa postagem busca esclarecer uma variável relevante presente principalmente em países em desenvolvimento e emergentes. Quando iniciando um discurso é necessário perceber que quando uma grande parcela populacional resolve se converter a criminalidade ou a escapar de seu lugar de origem, o problema está em todo o sistema. Continuar lendo

“Ela não recebera nome…”

por Louise Marie Hurel

A história dessa esposa, minha bisavó, foi típica de milhões de mulheres em seu tempo. Vinha de uma família de taoneiros chamada Wu. Como a família não era intelectual nem tinha nenhum cargo oficial, e como ela era menina, não recebera nome algum. Sendo segunda filha, era simplesmente chamada ”Menina Número Dois” (Er-ya-tou).

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Aquilo que acontece junto de mim e não percebo – o Haiti é aqui?

por Thaís Queiroz

            Passei minhas férias em uma pequena cidade de colonização alemã no estado de Santa Catarina. Blumenau é o nome dela, a minha cidade natal. Em minha rua, uma rua tranquila de um bairro residencial afastado, vi dois novos prédios – de apenas 4 andares (que é o máximo permitido) – que não estavam ali da última vez. Antes, a rua, e praticamente todo o bairro, tinha só casas. Ao passar por estes prédios diversas vezes, quando ia pegar o ônibus, cumprimentei algumas pessoas: todas de pele negra (o que era muito raro em Blumenau) e ouvi também uma língua diferente da minha enquanto passava e eles continuavam a conversar entre si.

            O meu pai trabalhou por alguns anos no Haiti, indo e voltando de tempos em tempos, e por ele eu sabia mais ou menos como soava o creoli, a língua falada pela maioria da população de lá. Eu desconfiava que era essa: tinha bons motivos para tal. Continuar lendo

A “África”, o Natal e a Ebola

por Carol Grinsztajn

     Quem pensaria em escrever uma música para arrecadar fundos para combater a fome na África que incluísse a frase “antes ele do que eu”? Aparentemente Bob Geldof. Estou falando da famosa Do They Know Its Chrismas?, lançada em 1984 como uma das primeiras inciativas para chamar atenção do público anglófono para a fome na África e que deu origem à iniciativa Live Aid e Live8. A música já foi regravada diversas vezes (essa primeira frase foi alterada, ainda bem) e a versão desse ano mudou o foco da arrecadação da fome para a Ebola (sem entretanto se dar o trabalho de mudar o refrão “Feed the World”). Não me leve a mal, eu gosto muito de vários trabalhos do Bob Geldof e não levantei da frente da TV durante todas as 10 horas de transmissão do Live 8 na MTV em 2005. Mas apesar das intenções nobres, a letra da música e iniciativas como essa são um exemplo da forma bastante questionável (que aliás fez com que alguns cantores desistissem de participar da iniciativa) sobre como entendemos essa “coisa” que é “A África” e a nossa relação com as suas mazelas , exemplificadas aqui pela devastadora epidemia de Ebola. E é disso que vamos tratar (brevemente) tendo a música de Geldof como base. Continuar lendo

O Choque (The Clash)

por Carol Grinsztajn

 

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     Em 1982 a banda The Clash lançou o que viria a se tornar um dos seus singles mais famosos: Rock the Casbah. A letra da música conta a história de um levante popular espontâneo contra a proibição de escutar rock imposta por um Shareef (uma autoridade muçulmana) à sua comunidade local e como as tentativas de repressão do Shareef foram frustradas diante do efeito que as músicas de rock tinham na população. Continuar lendo

Ecos da Colonização

por Marina Sertã

            Esse post é resultado de algumas reflexões, às quais eu agradeço à professora Paula Sandrin, acerca de uma pergunta na avaliação da matéria de Conflitos Indenitários deste semestre:

A história do imperialismo ocidental é relevante para compreender as relações internacionais contemporâneas? Continuar lendo