Arábia Saudita: O bonito, o feio e o futuro

por Felipe Teixeira

Em meio as economias emergentes do mundo (que em sua maioria passam hoje por problemas políticos e econômicos) uma se destaca nos meios de comunicação sobre política internacional, nos noticiários econômicos e na maioria dos grandes eventos diplomáticos. Esse país, apesar de não possuir uma economia gigante como o G7[1] ou o E7[2] nunca fica distante de qualquer análise de Relações Internacionais que se preze.

Líder de fato de diversas organizações regionais, políticas e religiosas a Arábia Saudita é um agente fundamental nos jogos políticos mundiais por um motivo simples: petróleo. O ouro negro concedeu uma dádiva da riqueza aos países ao redor do Golfo Pérsico, porém são os sauditas que controlam a maior parte desse tesouro. Dentre as monarquias ao redor do golfo a Arábia Saudita possui o maior território, a maior economia e a maior população por uma ampla margem. Esses fatores, além da posse histórica de locais sagrados para os praticantes do islamismo (Meca e Medina) trazem para esse agente uma ampla margem de poder que é efetivamente utilizada.

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Por que o de cima sobe e o de baixo desce?

Por Felipe Teixeira

“Analisando essa cadeia hereditária
Quero me livrar dessa situação precária
Onde o rico cada vez fica mais rico e o pobre cada vez fica mais pobre
E o motivo todo mundo já conhece,
E que o de cima sobe e o de baixo desce”

Tendo em mente as sábias palavras em “Xibom Bombom” do grupo de axé music “As Meninas”, você já se perguntou o que provoca essa dinâmica?

Em épocas de arrastões e crises de migração, vale trazer a tona conceitos que complexifiquem os debates. Para aprofundar os argumentos essa postagem busca esclarecer uma variável relevante presente principalmente em países em desenvolvimento e emergentes. Quando iniciando um discurso é necessário perceber que quando uma grande parcela populacional resolve se converter a criminalidade ou a escapar de seu lugar de origem, o problema está em todo o sistema. Continuar lendo

Carreiras e RI: O que diabos eu estou fazendo com a minha vida?

por Felipe Teixeira

Se você estuda Relações Internacionais provavelmente já se deparou com a seguinte pergunta: “O que diabos eu estou fazendo com a minha vida?”

Todo mundo sabe que RI é um curso muito abrangente, onde aprendemos um pouco de tudo mas muito raramente as aplicações práticas daquilo que estamos estudando. Se você já tem um objetivo em mente ou quer estudar suas opções, essa postagem pode servir como um guia para você se preparar.

Primeiro apresentarei algumas das carreiras possíveis para o graduando em RI, depois citando opções de carreira e algumas alternativas em como preparar seu currículo para tentar a vaga. Temos muitos formandos em RI em um mercado relativamente limitado tanto em questão de vagas quanto em geografia. Enquanto o mercado se abre vagarosamente para o profissional da área as vagas para Relações Internacionais ainda se concentram no eixo dos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal.

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Jogando Petróleo no Ventilador Parte 2

por Sergio Azeredo da Silveira Jordão.

12345Minha vez. Vou me focar em outras regiões, principalmente as consequências para o Irã, Síria, Estado Islâmico (EI ou ISIS, sigla em inglês para Islamic State of Iraq and Syria), Rússia, China e Japão. Vou começar pelo mais complicado, pelo Oriente Médio. Acho importante fazer um pequeno resumo do ator que nós tanto falamos, a Arábia Saudita. O Reino da Arábia Saudita se consolidou como país em 1932, mas só descobriu petróleo em 1938. Hoje, ele é o maior produtor de petróleo do mundo (16% da produção mundial), uma das maiores reservas existentes, 266 bilhões de barris[1], e líder político da OPEP. O maior aliado árabe do Ocidente é uma monarquia regida pela religião sunita wahabista (vertente ultraconservadora do islamismo sunita), sua constituição é a sharia (lei islâmica baseada no Alcorão), todo o poder está concentrado nas mãos do Rei, não existem partidos políticos e as minorias são perseguidas/marginalizadas (como prevê o wahabismo). Essas características ajudam a explicar algumas das nossas suposições para o país manter o preço do petróleo baixo. Continuar lendo

Jogando Petróleo no Ventilador Parte 1

por Felipe Teixeira

Quando a Arábia Saudita – tida como líder político da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) – trouxe sua agenda política para os mercados internacionais de petróleo o mundo tremeu. Foi um golpe astuto, executado de forma que seus danos foram pequenos quando comparados aos de seus inimigos. A decisão da OPEP foi que os preços do petróleo iriam cair (e muito). Esse movimento mudou o cenário político mundial e nós estamos aqui para lhe contar o bafafa que isso deu![1]

Sergio e Felipe fizeram esses dois posts para lhes contar o que aconteceu com o mundo quando a Arábia Saudita decide brincar de jogar o petróleo no ventilador.

Jogando Petróleo no ventilador, Parte 1: Continuar lendo

O Rio pelos olhos de… Felipe

por Felipe Teixeira

É inusitado para mim ser uma das últimas pessoas a falar nesse especial de aniversário do Rio de Janeiro porque como muitas das minhas colegas que escreveram antes, eu não sou daqui. A coincidência que acho engraçada é por quê exatamente hoje 28 de Fevereiro, faz 11 anos que estou no Rio. Comemora o momento oficial onde eu morei mais tempo no Rio do que em Salvador, minha cidade natal. Continuar lendo

Tudo que você precisa saber sobre a crise hídrica em 2 páginas ou menos

por Felipe Teixeira

Com o retorno de período de chuvas, é possível pensar que o pior da crise hídrica já passou e podemos ficar tranqüilos. Só. Que. Não.

Com reservatórios ainda em volumes críticos, a situação se mantém digna de atenção. O sistema de Cantareira, protagonista da crise hídrica em São Paulo, ainda opera em 10%[1] da capacidade. Estamos encarando a possibilidade de diluir água de uma represa poluída no sistema Cantareira para aumentar o volume de água no abastecimento.[2] Vale lembrar que o volume morto – de água que não deveria ser utilizada – já serve ao abastecimento público.

O que presenciamos hoje é o colapso de um sistema altamente ineficiente e uma situação que não vai se alterar sem mudanças estruturais. Para não repetir a história, devemos entendê-la. Por isso, aqui vai o guia: Continuar lendo

O que esperar do fim?

por Felipe Teixeira

Enquanto assisti ao TED Talk sobre medição de sucesso na atuação dos países, não pude deixar de ficar contente. Através de uma lista de 12 variáveis, Michael Green propõe o Social Progress Index (Índice de Progressão Social). A medição se pressupõe uma ferramenta para substituir o Produto Interno Bruto (PIB) na formulação de política pública e prestação de contas dos políticos e empresas. Achei incrível, achei genial, achei tudo de bom e tudo o mais. Continuar lendo

Uma nova energia para o Mercosul

por Felipe Teixeira

Agora que a Dilma já foi reeleita não tem mais como chorar. Vai ter Mercosul sim. Se reclamar vão ter dois.

O Mercosul passa desde o início do século por uma atual estagnação do processo de integração e limitação de sua relevância enquanto bloco político-econômico. Porém é precipitado dizer que o potencial do bloco estaria esgotado, uma vez que a cooperação pode ir muito além do mercado comum e dos projetos de infraestrutura de transportes que temos hoje. Continuar lendo