Furor Indica (pra caramba): Hamilton – An American Musical

por: Amanda Melo e Carol Grinsztajn

   Nessa semana e na ultima, as eleições norte-americanas passam por dois  importantes eventos: as convenções nacionais dos dois grandes partidos, Republicano e Democrata. Para quem vem acompanhando as convenções e as primárias, temos visto temas essenciais sendo discutidos apaixonadamente: imigração, racismo, o lugar da mulher na política, corrupção,  políticas econômicas. Posicionamentos sobre esses temas acompanham a política norte-americana  há tempos, mas talvez há mais tempo do que normalmente imaginamos- eles se desenvolvem com as próprias condições e contradições desde os primeiros governos norte-americanos. É claro que entede-los exige muita leitura e análise, mas o aprendizado sempre pode ser acompanhado de recursos que nos trazem reflexões e questionamentos, e arte normalmente é uma ótima companheira nessa viagem, então aqui vai a nossa indicação. Continuar lendo

Furor indica: “Queridos misóginos americanos: A opressão das mulheres afegãs não existe para o seu benefício”

por Thaís Queiroz

Nesta semana, para nos ajudar a (des)entender as relações internacionais, gostaríamos de compartilhar com vocês um artigo publicado no fim do ano passado pela ativista afegã Noorjahan Akbar*, intitulado “Queridos misóginos americanos: A opressão das mulheres afegãs não existe para o seu benefício”.

Nele, a autora denuncia como homens dos Estados Unidos frequentemente desqualificam feministas estadunidenses com o discurso de “vá ser feminista no Oriente Médio! Lá elas sofrem muito mais. É a opressão delas que considero opressão. Essa sim deve ser combatida” e assim por diante. No caso, ela fala de estadunidenses e de afegãs, pois são os locais de onde ela fala e de onde ela vem. Mas esta analogia aplica-se a muitas outras relações, principalmente entre pessoas de países “ocidentais” e países “orientais”.

O texto foi traduzido por Vanessa Ribeiro e foi originalmente postado em português pelo blog Não me Kahlo.  Vamos a ele:

Queridos misóginos americanos: A opressão das mulheres afegãs não existe para o seu benefício
(Dear American misogynists: Afghan women are not oppressed for you)

Hoje [10 de dezembro de 2015] é o último dia dos 16 Dias de Ativismo contra violência de gênero. Todo ano, ler os depoimentos poderosos de mulheres que superaram essa forma tão comum de violência me inspira e me lembra do quão importante é a desigualdade global.

 Nos últimos seis anos, eu tenho tido o privilégio de falar em universidades americanas e escolas particulares sobre minha experiência trabalhando e escrevendo sobre direitos humanos na minha terra natal, o Afeganistão.  Uma das reações mais comuns que americanos têm para meus discursos e meus artigos é a invalidação da defesa dos direitos das mulheres nos Estados Unidos comparando as atrocidades que mulheres enfrentam no Afeganistão com as opressões “menos importantes” e “exageradas” que feministas estão lutando em seu próprio país. 

 A marginalização de mulheres afegãs é usada como uma ferramenta para diminuir a percepção do quão injusto é o status quo que eles têm em casa.  Esses homens, e às vezes mulheres, me contam o quanto estão decepcionados com feministas americanas por estarem “reclamando de cantadas que levam nas ruas enquanto mulheres estão sendo massacradas por homens afegãos.”

 Essa é uma reação daqueles que fingem simpatizar com mulheres afegãs – e por extensão também muçulmanas e mulheres do oriente médio em geral – enquanto atacam ativistas dos direitos das mulheres em seu próprio quintal. Continuar lendo

FUROR INDICA: As Sufragistas

por Louise Marie Hurel.

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From every corner of the land womankind arise!

Political equality and equal rights with men

Take heart for Mrs. Pankhurst has been clapped in irons again

No more the meek and mild subservience we

We’re fighting for our rights militantly

Never you fear!

(Tradução livre)

De todos os cantos da terra, mulheres ergam-se!

Igualdade política e direitos iguais aos dos homens

Tenham bom ânimo, a Senhora Pankhurst foi aprisionada novamente

Sem mais mansidão e subserviência nós

Nós estamos lutando pelos nossos direitos através da militância

Jamais tema!

Sister Suffragette – Mary Poppins

O filme “As Sufragistas”  se passa em Londres, no início do século XX. Entre a ficção e a realidade, o filme conta a história de um grupo de mulheres (Maud, Violet e Edith) que, devido   aos diferentes rumos da vida, se encontram na luta pelo direito ao voto. Com personalidades e experiências diferentes, suas histórias representam um pouco de cada uma das mulheres que militaram pelo sufrágio feminino.

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Músicas de 2015 ( que todo internacionalista deveria ouvir)

por Franco Alencastro.

Ora, olá. Você deve ter vindo aqui da primeira parte do post, sobre filmes. Bom, vamos cortar a introdução e ir direto para as Melhores Músicas do Ano (Que Todo Internacionalista Digno do Nome Deveria Ouvir):

 

King Kunta, de Kendrick Lamar

Em Março, o rapper americano Kendrick Lamar lançou a obra-prima To Pimp A Butterfly, um álbum-conceitual sobre a situação do negro nos EUA atuais, discutindo questões como o racismo ainda presente na cultura, a violência policial, a auto-estima do negro em uma cultura em que o branco ainda é o padrão de beleza. O álbum se tornou ainda mais relevante com a explosão, esse ano, de manifestações contra o racismo e a brutalidade policial. Para falar desses temas Kendrick costurou, junto com suas letras ácidas e abertamente políticas, um coquetel do melhor da música negra dos últimos 100 anos: Jazz, Rock, Funk, Soul… King Kunta é provavelmente a melhor música do álbum. Confira:


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Filmes de 2015 (que todo internacionalista deveria ver)

por Franco Alencastro.

Chegamos à mais um fim de ano, e nós, internacionalistas e leitores de O Furor, não podemos deixar de olhar para trás e pensar em como ele foi movimentado – muitas vezes, para mal, algumas vezes para o bem. O coração da Europa foi atingido por um ataque sanguinário, os tanques do Estado Islâmico rugem no Oriente Médio e o mundo chega cada dia mais perto de um conflito que, cochicham por aí, pode se tornar mundial. No Ocidente desenvolvido, os populismo de extrema-direita troveja suas acusações diárias contra os inimigos da vez, e no Brasil convivemos com uma crise econômica e política (quase) sem precedentes, em meio as repercussões do pior crime ambiental da história nacional.

Foi também um ano de esperança: as nações do mundo votaram por um novo e ambicioso pacote de metas de desenvolvimento para 2030, que incluem os grandes objetivos de sustentabilidade sem os quais provavelmente não teremos um planeta para nos desenvolver; e, em Paris, os líderes mundiais finalmente chegaram num consenso quanto à mudança climática. Só por isso, podemos dizer que 20125 entrou para a história.

Assim, a tradicional lista de melhores músicas e filmes que encontramos na maioria dos blogs por aí não podia deixar de dar as caras n’O Furor, mas com um twist: decidi escolher não só as melhores obras, mas as que melhor representaram as questões em jogo no mundo hoje!

Os melhores filmes do ano (sem um ranking específico):
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Furor Indica: Feministas no Youtube

por Marina Sertã.

Eu gasto boa parte do meu tempo (in)útil no youtube. E aí calha de eu descobrir umas coisas legais de vez em quando. Esses dias estava conversando com uma professora (oi, Andrea!) sobre canais feministas, e ela perguntou se tinha uma lista desses canais. Eu já vi várias por aí, mas decidi fazer a minha, com as mulheres que introduzem muito bem alguns debates de gênero com uma mídia mais leve e com uma linguagem talvez mais acessível e atraente. Espero que vocês gostem! =) Continuar lendo

FUROR INDICA: Ardil 22 de Joseph Heller


por Ariane Francisco.

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12345Ardil 22[1] é o livro de narrativa mais singular que já li. Não linear na sua maior parte e tendo cada capítulo dedicado a um personagem e seu ponto de vista sobre um evento, é aos poucos que cada evento vai se articulando, assim como as consequencias que produziu para um acontecimento já comentado. Sob meu ponto de vista, não existe um início ou meio, nós somos jogados na estória e começamos a perceber a vida dos personagens a partir do momento em que o autor quer que começe; já na ilha, na guerra, já tendo voado mais de 40 missões – quantas missões cada oficial deve voar para ser dispensado da guerra é um dos plots importantes do livro. No fim, e sempre há de existir um fim em um livro – que não necessariamente quer dizer uma lição de moral, a morte do vilão ou viveram felizes para sempre -, personagens tão singulares inseridos em um contexto de tamanha pressão acabam se tornando se não nos destinos, iguais em sentimentos. Continuar lendo

Furor Indica 2

por Amanda Melo

Você já deve saber que está correndo no Congresso brasileiro a discussão e votação da Proposta de Emenda da Constituição (PEC 171/93). Essa PEC especificamente propõe a redução da maioridade penal para crimes hediondos, que passaria de 18 para 16 anos, e foi aprovada em primeiro turno pela Câmara dos Deputados no início de julho deste ano, antes do recesso.

Em meio a essas votações, O Furor indica hoje esse vídeo do Nerdologia que pode te dar mais informação sobre o assunto  e te ajudar a formar uma opinião sobre o tema, ou, se você já tiver uma, te apresentar um novo argumento.

Fique à vontade para deixar sua opinião nos comentários!

Furor indica

por Thaís Queiroz.

Hoje O Furor indica este vídeo que muito nos diz em seus 22min sobre o internacional hoje e os seres humanos que o constituem e vale ser assistido até o fim. Você sabe quem é Monica Lewinsky? A “estagiária da Casa Branca que ficou conhecida pelo escândalo de seu caso com o presidente dos Estados Unidos da América” é uma mulher forte que tomou uma atitude corajosa ao apresentar esta “TED talk”, na qual nos fala muito mais do que sobre erros: vale a pena conferir o que ela tem a nos dizer:

Comente com o que você também tem a nos dizer sobre o assunto. Vamos refletir e problematizar!

#todoconhecimentoseráproblematizado