Ni Una Menos: a inclusão de todas as mulheres na Lei do Feminicídio

   por Julia Zordan

      Está marcada para hoje, às 18:00, uma paralização e passeata de mulheres pela cidade do Rio de Janeiro e por várias cidades da América Latina. Na última quarta-feira, dia 19, Argentina, México e Chile já haviam feito o mesmo. A razão? Lucía Perez. 16 anos. Drogada, violentada e morta no início deste mês. Cerca de 50 organizações convocaram o que foi visto como uma espécie de “greve de mulheres” nestes países [1], justamente para que este não se tornasse apenas mais um feminicídio, mais uma estatística. O movimento da semana passada, que ficou conhecido como “Miercoles Negro” (quarta-feira negra – tradução livre), recebeu apoio de mulheres ao redor de todo o mundo, tendo chegado ao topo da lista de tópicos mais comentados no mundo do Twitter ao longo da tarde, por meio da hashtag #NiUnaMenos.

          O crime do qual Lucía foi vítima se encaixa no escopo do chamado “feminicídio” – ou seja, o assassinato de uma mulher motivado pelo fato de ela ser uma mulher, motivado por uma questão de gênero, como um parceiro inconformado com o fim do relacionamento, sentimento de posse, dentre outros [2]. Este vídeo aqui complementa a caracterização deste tipo de crime.

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Você já ouviu falar em economia criativa?

   por Julia Zordan

      Numa tarde dessas de domingo eu fui dar uma volta na praça. Já estava indo embora quando vi no chão um pano estendido, e uns livros em cima. Apaixonada por livros que sou, não resisti e me aproximei. Escolhi um livro. Perguntei o preço e fui surpreendida pela resposta de que o preço daquele livro seria atribuído pra mim, de acordo com o meu julgamento sobre seu valor, de que aquilo se tratava de um movimento de economia criativa. Essa é a história de como eu voltei para casa com um livro, que eu estava querendo há meses, sobre o Islã.

      Antes de ir embora, o Thiago, de quem partiu a resposta que me surpreendeu, me pediu para curtir a página dele no Facebook, para dar um apoio e acompanhar o trabalho dele. Depois quis saber mais sobre o trabalho dele e sobre o que era esse conceito de economia criativa. Não era a primeira vez que eu ouvia o termo, mas pouco sabia sobre. Ele me explicou que era “um conceito de negócios que usam criatividade como matéria prima. Por exemplo, na economia tradicional temos uma loja de roupa de grife e na economia criativa podemos citar um brechó fashion. Na primeira, o que define o preço final dos produtos, são maquinas de costura, transporte de material, tecido, aluguel de loja, mão de obra das costureiras, etc. Na Segunda o que define o valor das coisas é a criatividade”, o que é aprofundado pelo Sebrae¹: Continuar lendo

Como viajei da China ao Brasil em 30 segundos

por Julia Zordan

Por 35 anos a China viveu uma política governamental segundo a qual os casais não poderiam ter mais do que um único filho. Até a semana passada, quando essa política caiu e foi permitido às famílias ter até dois filhos. Como explica Duda Teixeira[1],

A Lei de População e Planejamento Familiar, que deve ser extinta em breve, afirma que:

‘O país determina estar em efeito a política do nascimento, que encoraja o cidadão a casar-se e, em um momento posterior, a ter filhos. Recomenda-se que marido e mulher tenham somente uma criança’

A norma estipula que os pais de filhos únicos podem requerer um ‘certificado de honra para pais de filhos únicos’. Com o documento em mãos, eles passam a ter direito a vários benefícios estatais, como assistência médica e um seguro para a idade avançada.

 Esse controle populacional por parte do governo chinês não é arbitrário: é uma forma utilizada pelo governo de controlar o tamanho de sua população e, assim, controlar várias outras áreas que lhe dizem respeito, como políticas econômicas, educacionais, sociais, previdenciárias[2], etc. Assim, conforme a pirâmide populacional chinesa vai sendo alterada com o tempo, o governo chinês decidiu permitir que os casais pudessem ter, se assim desejassem, dois filhos.

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Como a tecnologia está afetando a vida dos refugiados?

por Julia Zordan

Nas últimas semanas só se tem falado em um assunto: refugiados. Como não poderia deixar de ser, esse vai ser o assunto dos posts dessa semana d’O Furor.
Refugiados são pessoas que buscam proteção em outro território que não o de origem ou de residência, por motivos que variam de guerras a desastres naturais, passando por motivos de perseguição política, religiosa, racial, de orientação sexual ou de pertencimento a um determinado grupo social. Os casos dos refugiados haitianos e sírios têm sido os mais vistos na mídia brasileira. No Brasil, o número de refugiados passou de 4.218 em 2011 para 8.400 em 2015 [1]. A tendência, no entanto, é de aumento deste número, por conta da crise de imigração que vivemos. Os números do Brasil são pequenos se comparados a níveis internacionais – calcula-se que os refugiados representassem 1% da população Brasileira em 2014, enquanto em outros países esse número varia entre 10 e 25% [2]. Segundo a Anistia Internacional, a Turquia é o país que abriga o maior número de refugiados sírios. Segundo dados de 4 de setembro de 2015, são 1.9 milhões [3].

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Reflexos e Reflexões

por Julia Zordan 

                Férias. Tempo de descansar, de colocar em dia todos os episódios de séries e todos os livros que ficaram pelo caminho durante o semestre. Pra mim, tempo de aproveitar para passar mais tempo com os amigos e para conhecer novos lugares, fazer coisas novas. Antes mesmo de entrar de férias, já começamos a planejar os passeios que faríamos. Logo, então, fomos – eu, Thaís, Marina e Franco – ver uma exposição sobre a modernidade espanhola, com muitas obras de Pablo Picasso. Depois, fui com a Marina ao MAR, o Museu de Arte do Rio, ver a exposição “Tarsila e as Mulheres Modernas no Rio”. Achei tão interessante a exposição que voltei lá dois dias depois, com outros dois amigos, para revisitar a exposição e para ver a “Rio Setecentista – quando o Rio virou capital”. Desses passeios eu gostaria de compartilhar com vocês algumas impressões que tive – acerca de uma variedade de temas.

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Relações Internacionais e a Questão do Olhar

por Julia Zordan

            Desde que eu entrei para a faculdade fico muito contente quando alguém me pergunta o que eu curso. Tenho muito orgulho de fazer Relações Internacionais e desde meu primeiro período que eu não consigo me ver fazendo outra coisa. Descobri o curso por acaso, numa pesquisa na internet. Desde aquele momento, decidi que era aquilo que queria cursar na faculdade. O primeiro período no curso só fortaleceu a certeza de que eu não me via fazendo qualquer outra coisa, só fortaleceu a certeza que tive naquele momento, mais ou menos um ano antes, de que não queria mais cursar Direito. Queria RI. Hoje, quatro anos depois, a certeza está aqui. A mesma. Intacta.

            O problema é que a pergunta sobre o que eu curso nunca vem sozinha. Sempre vem acompanhada de um “Ah, mas isso não é aquele negócio que você faz para trabalhar lá no consulado?”, ou de um “Que chique! Você vai ser diplomata?”, ou de “Quantas línguas você fala? Você fala chinês? Chinês é importante. A China tá crescendo muito, né?”. Pior ainda: vem acompanhada de um “O que é isso? Mas o que você estuda? Com o que você pode trabalhar quando você faz isso?”.

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Pelo Jogo. Pelo Mundo – Parte 2

por Julia Zordan e Maiara Folly

Certa vez, voltando de um intercâmbio de curta duração, tive o prazer de estar no mesmo voo da seleção brasileira de futebol, que retornava de um amistoso na França. Durante o voo, conversei com as jogadoras sobre a condição do futebol feminino no Brasil. Bom, sempre soube que a categoria feminina pouco  era valorizada no país. Acreditava, porém, que a realidade das jogadoras da seleção fosse um pouco diferente. Para ilustrar o descaso com nossas craques, mencionarei dois pequenos trechos de nossa conversa.

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Pelo Jogo. Pelo Mundo. – Parte 1

por Julia Zordan e Maiara Folly

Na última quarta-feira, uma operação especial das autoridades suíças, sob liderança da Agência Federal de Investigação dos Estados Unidos (FBI, na sigla em inglês) e coordenada pela Procuradora-Geral dos Estados Unidos, Loretta Lynch, culminou na prisão de sete executivos da Federação Internacional de Futebol (FIFA, na sigla em inglês) sob a acusação de corrução, entre eles, José Maria Marin, ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Em nota, o Departamento de Justiça dos EUA apontou 14 réus, acusados, dentre outros delitos, de extorsão, fraude e conspiração para lavagem de dinheiro. Nas palavras da Procuradora-Geral Lynch, o esquema que envolveu US$150 milhões, sugere que a corrupção na FIFA é “desenfreada, sistêmica e tem raízes profundas” [1].

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