O Haiti é aqui: reflexões de uma visita a São Paulo

por Kayo Moura

Hoje, meu post não é nada mais que um relato, uma curta exposição, das experiências que vivi, ou melhor, da impressão que tive na minha segunda viajem à maior cidade do país, São Paulo. Nessa ocasião fui à São Paulo para acompanhar o Seminário Nacional sobre o Haiti: Construindo solidariedade, mas antes de falar do seminário, inicio este relato com uma frase que desafia os bairrismos – incluindo o meu próprio – além da clássica rivalidade entre Rio e São Paulo, e que por isso, muitos podem resistir a crer que a mesma tenha como emissor um orgulho carioca como eu. Contudo, contra todas essas tendências, sigo e afirmando, sem medo de retaliação: São Paulo é incrível! Continuar lendo

Anúncios

A Nação Cordial (?)

por Kayo Moura

“Já disse, numa expressão feliz, que a contribuição brasileira para a civilização será a cordialidade – daremos ao mundo o “homem cordial” [1]. Uma das características mais difundidas a respeito do povo brasileiro – se é que se pode afirmar a existência de apenas um povo brasileiro e não de uma multiplicidade de indivíduos, comunidades e povos marcados por continuidades e contradições que formam essa comunidade política– é sem dúvida sua cordialidade. Esse discurso, apesar de um tanto quanto mistificado, não deve ser considerado uma farsa total. Pois, afinal ele é constante na fala de estrangeiros que visitam o país, mas também nas práticas e narrativas da população que de certo modo reforçam essa ideia. Continuar lendo

Furor indica: “Os Filhos da Meia Noite”

por Kayo Moura.

OS-FILHOS-DA-MEIA-NOITE-

Da diretora indiana, Deepa Mehta, também diretora de “Às Margens do Rio Sagrado” (2005) e com roteiro produzido em parceria com Salman Rushdie que além de narrador da trama – e famoso pelo polêmico “Versos Satânicos”, responsável pela promulgação de sua sentença de morte, nunca efetuada, pelo Aiatolá Khomeini [1] – é também autor da premiada obra literária que baseia a adaptação cinematográfica. “Os Filhos da Meia Noite” (Midnight’s Children, 2012) conta a história de Saleem Sinai, um jovem indiano, que ao nascer no mesmo instante da emergência de uma Índia independente, tem seu destino selado com a história de seu país.     Continuar lendo

ERA UMA VEZ UMA GUERRA CHAMADA FRIA: A Ilha Socialista, a potência capitalista e o restabelecimento das relações diplomáticas entre Cuba e EUA.

por Kayo Moura

Em minha primeira semana de férias parece que a política internacional, ao contrário de mim, não parou para um descanso. Em meu último post (fazer hiperlink) tratei sobre os 43 estudantes mexicanos desaparecidos e por isso não falarei hoje sobre o sequestro na cafeteria australiana que terminou com três mortos, incluindo o sequestrador. Muito menos quero trazer o lastimável caso das mais de 120 crianças assassinadas no ataque do Talibã a uma escola no Paquistão. Acredito que esses temas serão tratados aqui por outros colegas furorísticos. Contudo, não poderia deixar de desejar aos familiares daqueles que sofreram com essas e outras tragédias toda a força, paz, consolação e graças de Deus. Tenham certeza de que o mundo, pelo menos por alguns segundos, se compadeceu e compartilhou de sua dor.

Assim sendo, tratarei aqui de um acontecimento histórico na política internacional que também roubou a atenção mundial nessa semana. Trata-se do reatamento das relações diplomáticas entre EUA e Cuba. Esse que talvez tenha sido um dos mais vivos e simbólicos resquícios da Guerra Fria, certamente o mais aquecido ponto de embate entre os projetos políticos e sociais em disputa na Guerra Fria na América, chegou ao início de seu fim (?). De um lado, a ilha socialista na América, do outro, o país símbolo do capitalismo e no passado, uma Guerra chamada fria. Continuar lendo

Das mais tristes “novelas” – A Mexicana

por Kayo Moura

Cena 1: A história de um massacre.

            O título desse post tenta chamar a atenção do leitor furorístico para  um infeliz quadro, muito mais dramático que qualquer novela ou gênero literário similar. Porque nele não há nada de fictício, muito menos algo que se assemelhe a um final feliz, pelo menos por enquanto.

43-jovens-mexicanos-desaparecidos1

            No dia 26 de setembro de 2014, um grupo de jovens estudantes da comunidade de Ayotzinapa, situada na cidade de Iguala, no México, teve seu ônibus interceptado e atacado por policiais da cidade. Ao que tudo indica, os jovens estavam a caminho da Cidade do México para participar da marcha que lembraria o massacre de Tlatelolco (1968) e o assassinato de dois companheiros pela polícia na estrada federal que vai até Acapulco, em 2011. Além disso, pretendiam angariar fundos para as escolas rurais de sua região e para a organização de novas manifestações [1]. Continuar lendo

O Clássico dos Milhões

por Kayo Moura da Silva

      No último domingo as brasileiras e os brasileiros foram às urnas para decidir sobre o futuro do país. A grande festa da democracia – nome que injustiça nosso carnaval de rua – assemelhou-se a um Fla-Flu em um Maracanã repleto com mais de 100 milhões de torcedores. Quase todos os componentes desse clássico do futebol estavam ali presentes. A diversidade de classes e opiniões, os cantos que vocalizam a participação popular nesse processo, a paixão por aquilo que seu time representa, a admiração pelos craques e também pela história do seu clube, além da emoção e incerteza que marcaram fortemente essas eleições. Continuar lendo