Ni Una Menos: a inclusão de todas as mulheres na Lei do Feminicídio

   por Julia Zordan

      Está marcada para hoje, às 18:00, uma paralização e passeata de mulheres pela cidade do Rio de Janeiro e por várias cidades da América Latina. Na última quarta-feira, dia 19, Argentina, México e Chile já haviam feito o mesmo. A razão? Lucía Perez. 16 anos. Drogada, violentada e morta no início deste mês. Cerca de 50 organizações convocaram o que foi visto como uma espécie de “greve de mulheres” nestes países [1], justamente para que este não se tornasse apenas mais um feminicídio, mais uma estatística. O movimento da semana passada, que ficou conhecido como “Miercoles Negro” (quarta-feira negra – tradução livre), recebeu apoio de mulheres ao redor de todo o mundo, tendo chegado ao topo da lista de tópicos mais comentados no mundo do Twitter ao longo da tarde, por meio da hashtag #NiUnaMenos.

          O crime do qual Lucía foi vítima se encaixa no escopo do chamado “feminicídio” – ou seja, o assassinato de uma mulher motivado pelo fato de ela ser uma mulher, motivado por uma questão de gênero, como um parceiro inconformado com o fim do relacionamento, sentimento de posse, dentre outros [2]. Este vídeo aqui complementa a caracterização deste tipo de crime.

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Mulheres da Vila Autódromo

por Marina Sertã

Estar na Vila Autódromo, ou mesmo o caminho para lá, passa por testemunhar vários tipos de imponência. Começa pela imponência da arquitetura da Barra da Tijuca, com seus prédios, centros empresariais e shopping centers monstruosos e suas largas avenidas. Passa pelas construções do parque olímpico, com uma arena enorme para cada modalidade de esporte, e pelos gigantes espelhados sendo erguidos próximos a Vila. Até chegar às casas, as que foram e as que são. E recai sobre a imponência do silêncio dos espaços que há pouco guardaram vidas e das casas que ainda resistem.

Mas talvez a maior imponência na Vila Autódromo seja – mesmo com seus espaços que contam histórias, mesmo com as suas casas que lutam desafiam todo poder da autoridade e do dinheiro – a das mulheres.

Não há como não entrar na Vila Autódromo e não ser agraciado com uma bênção da Dona Penha, uma palavra de carinho da Nathália, um abraço da Sandra Maria, um sorriso da Sandra Regina. É impossível deixar passar as presenças da dona Denise e Dalva. É impossível não se perceber a firmeza da Rafaela e a paz da Sofia Valentina. Admirar tudo o que representa a Heloísa Helena e a perseverança da Conceição. E tantas outras imponências mais de tantas outras mulheres.

Ser mulher e acompanhar a luta de resistência da Vila Autódromo é encontrar modelos dessa imponência que se coloca das mais diferentes formas. Dessas mulheres que são maiores que os prédios espelhados e complexos esportivos que as cercam. Que têm uma presença mais forte que todas as centenas de guardas municipais que cercam as casas a serem demolidas. Que têm uma voz mais alta que todos o microfones e alto-falantes.

Ser mulher e apoiar a luta de resistência da Vila Autódromo é me curvar diante dessas mulheres-entidades e tomar cada momento na presença delas como aprendizado. É aprender a força que permanecer demanda. É aprender um significado para ‘permanecer’ que nada tem a ver com inércia, mas com a força sobre-humana de uma luta diária. É aprender que ter fé é rezar, acreditar, confiar e, sobretudo, lutar. É testemunhar sorrisos e carinho nos momentos mais inconsoláveis, e entender a que é deles que vem a força para superá-los.

Hoje, na ALERJ, um pouco dessa imponência é reconhecida, em uma homenagem a ser prestada a dona Penha. O que eu desejo para a dona Penha – assim como a todas as mulheres da Vila Autódromo – é que além das homenagens, elas tenham respeitado o seu direito de permanência nas suas casas. E o que eu desejo para todas nós, é o privilegio de continuar aprendendo com elas.

[edição] Hoje, pela  manhã, minutos depois da postagem deste texto, recebemos a notícia que, além da homenagem, dona Penha também receberia a demolição de sua casa.

Viva a Vila Autódromo!

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Furor Indica: Feministas no Youtube

por Marina Sertã.

Eu gasto boa parte do meu tempo (in)útil no youtube. E aí calha de eu descobrir umas coisas legais de vez em quando. Esses dias estava conversando com uma professora (oi, Andrea!) sobre canais feministas, e ela perguntou se tinha uma lista desses canais. Eu já vi várias por aí, mas decidi fazer a minha, com as mulheres que introduzem muito bem alguns debates de gênero com uma mídia mais leve e com uma linguagem talvez mais acessível e atraente. Espero que vocês gostem! =) Continuar lendo