Arábia Saudita: O bonito, o feio e o futuro

por Felipe Teixeira

Em meio as economias emergentes do mundo (que em sua maioria passam hoje por problemas políticos e econômicos) uma se destaca nos meios de comunicação sobre política internacional, nos noticiários econômicos e na maioria dos grandes eventos diplomáticos. Esse país, apesar de não possuir uma economia gigante como o G7[1] ou o E7[2] nunca fica distante de qualquer análise de Relações Internacionais que se preze.

Líder de fato de diversas organizações regionais, políticas e religiosas a Arábia Saudita é um agente fundamental nos jogos políticos mundiais por um motivo simples: petróleo. O ouro negro concedeu uma dádiva da riqueza aos países ao redor do Golfo Pérsico, porém são os sauditas que controlam a maior parte desse tesouro. Dentre as monarquias ao redor do golfo a Arábia Saudita possui o maior território, a maior economia e a maior população por uma ampla margem. Esses fatores, além da posse histórica de locais sagrados para os praticantes do islamismo (Meca e Medina) trazem para esse agente uma ampla margem de poder que é efetivamente utilizada.

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Jogando Petróleo no Ventilador Parte 2

por Sergio Azeredo da Silveira Jordão.

12345Minha vez. Vou me focar em outras regiões, principalmente as consequências para o Irã, Síria, Estado Islâmico (EI ou ISIS, sigla em inglês para Islamic State of Iraq and Syria), Rússia, China e Japão. Vou começar pelo mais complicado, pelo Oriente Médio. Acho importante fazer um pequeno resumo do ator que nós tanto falamos, a Arábia Saudita. O Reino da Arábia Saudita se consolidou como país em 1932, mas só descobriu petróleo em 1938. Hoje, ele é o maior produtor de petróleo do mundo (16% da produção mundial), uma das maiores reservas existentes, 266 bilhões de barris[1], e líder político da OPEP. O maior aliado árabe do Ocidente é uma monarquia regida pela religião sunita wahabista (vertente ultraconservadora do islamismo sunita), sua constituição é a sharia (lei islâmica baseada no Alcorão), todo o poder está concentrado nas mãos do Rei, não existem partidos políticos e as minorias são perseguidas/marginalizadas (como prevê o wahabismo). Essas características ajudam a explicar algumas das nossas suposições para o país manter o preço do petróleo baixo. Continuar lendo

Jogando Petróleo no Ventilador Parte 1

por Felipe Teixeira

Quando a Arábia Saudita – tida como líder político da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) – trouxe sua agenda política para os mercados internacionais de petróleo o mundo tremeu. Foi um golpe astuto, executado de forma que seus danos foram pequenos quando comparados aos de seus inimigos. A decisão da OPEP foi que os preços do petróleo iriam cair (e muito). Esse movimento mudou o cenário político mundial e nós estamos aqui para lhe contar o bafafa que isso deu![1]

Sergio e Felipe fizeram esses dois posts para lhes contar o que aconteceu com o mundo quando a Arábia Saudita decide brincar de jogar o petróleo no ventilador.

Jogando Petróleo no ventilador, Parte 1: Continuar lendo

Uma nova energia para o Mercosul

por Felipe Teixeira

Agora que a Dilma já foi reeleita não tem mais como chorar. Vai ter Mercosul sim. Se reclamar vão ter dois.

O Mercosul passa desde o início do século por uma atual estagnação do processo de integração e limitação de sua relevância enquanto bloco político-econômico. Porém é precipitado dizer que o potencial do bloco estaria esgotado, uma vez que a cooperação pode ir muito além do mercado comum e dos projetos de infraestrutura de transportes que temos hoje. Continuar lendo