Olhando o passado para compreender o presente.

por Mônica Aguiar.

          Quando eu tinha 9 anos fiquei muito impressionada com uma fotografia que correu o mundo e eventualmente ganhou o prêmio Pulitzer. Tratava-se de uma menina vietnamita de minha idade, correndo nua por uma estrada e com o rosto deformado pelo choro e pelo medo. Por mais que eu tentasse, não conseguia entender as complexidades da Guerra do Vietnã e atribuía essa dificuldade ao fato de ter chegado tarde à História e ter perdido os “capítulos anteriores”. Acreditava que ao me tornar adulta e acompanhar desde o início o desenrolar de um acontecimento seria mais fácil entender as guerras ao meu redor. Os anos se passaram, mas essa sensação de estranhamento nunca me abandonou por completo. Terminei por me dar conta de que os acontecimentos políticos que vemos por aí respondem a dinâmicas cujas origens são mais distantes do que uma geração humana.

          Outro dia, ao assistir a XII Conferência de Segurança Internacional promovida pela Fundação Konrad Adenauer, tive a oportunidade de ouvir o palestrante russo manifestar-se sobre a atuação de seu país na Criméia e na Síria. Verdade seja dita, ele esquivou-se o máximo possível do assunto sob o pretexto de que o Ocidente não compreendia a perspectiva russa. Dentro do espírito do meu parágrafo anterior, resolvi refletir sobre aquela afirmação e buscar no passado as motivações para as decisões tomadas por Moscou no campo das Relações Internacionais. Continuar lendo

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Pelo Jogo. Pelo Mundo. – Parte 1

por Julia Zordan e Maiara Folly

Na última quarta-feira, uma operação especial das autoridades suíças, sob liderança da Agência Federal de Investigação dos Estados Unidos (FBI, na sigla em inglês) e coordenada pela Procuradora-Geral dos Estados Unidos, Loretta Lynch, culminou na prisão de sete executivos da Federação Internacional de Futebol (FIFA, na sigla em inglês) sob a acusação de corrução, entre eles, José Maria Marin, ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Em nota, o Departamento de Justiça dos EUA apontou 14 réus, acusados, dentre outros delitos, de extorsão, fraude e conspiração para lavagem de dinheiro. Nas palavras da Procuradora-Geral Lynch, o esquema que envolveu US$150 milhões, sugere que a corrupção na FIFA é “desenfreada, sistêmica e tem raízes profundas” [1].

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O Celeiro da Europa e o Massacre de Holodomor.

por Louise Marie Hurel

12345Sentamos em uma cadeira como observadores e atores na peça da vida. Em nosso mundo, nossa microesfera de realidade, somos protagonistas, figurantes, diretores, produtores e assistentes ao mesmo tempo. Esse palco complexo e vivo, chamado vida, já presenciou momentos marcantes de bonança e de turbulência. Ficamos chocados e pasmos ao nos depararmos com atrocidades como o genocídio de Ruanda, Bósnia e a Armênia (que acabou de completar 100 anos). Todavia, poucos são os que conhecem a história de Holodomor. Sendo assim, o papel desse post é de trazer ao leitor a oportunidade de conectar com um caso grandemente desconhecido: o massacre de Holodomor, em 1933 na Ucrânia. Continuar lendo

Jogando Petróleo no Ventilador Parte 2

por Sergio Azeredo da Silveira Jordão.

12345Minha vez. Vou me focar em outras regiões, principalmente as consequências para o Irã, Síria, Estado Islâmico (EI ou ISIS, sigla em inglês para Islamic State of Iraq and Syria), Rússia, China e Japão. Vou começar pelo mais complicado, pelo Oriente Médio. Acho importante fazer um pequeno resumo do ator que nós tanto falamos, a Arábia Saudita. O Reino da Arábia Saudita se consolidou como país em 1932, mas só descobriu petróleo em 1938. Hoje, ele é o maior produtor de petróleo do mundo (16% da produção mundial), uma das maiores reservas existentes, 266 bilhões de barris[1], e líder político da OPEP. O maior aliado árabe do Ocidente é uma monarquia regida pela religião sunita wahabista (vertente ultraconservadora do islamismo sunita), sua constituição é a sharia (lei islâmica baseada no Alcorão), todo o poder está concentrado nas mãos do Rei, não existem partidos políticos e as minorias são perseguidas/marginalizadas (como prevê o wahabismo). Essas características ajudam a explicar algumas das nossas suposições para o país manter o preço do petróleo baixo. Continuar lendo

Um Conto de Putin

por Franco Alencastro

2014 foi um bom ano para Vladimir Vladimirovich Putin: Com a ajuda de separatistas ucranianos, anexou o território da Criméia à Rússia, dando à Moscou o controle de um território que perdera em 1991. A economia russa emergira nos anos anteriores como uma das maiores do globo, em conjunto com o grupo dos BRICS, que ameaçava a hegemonia econômica dos EUA, contra quem o líder russo parecia querer travar uma nova Guerra Fria. Popular, amado, admirado e temido para seu povo, Vladimir Putin era cada vez mais reconhecido como um exemplo de liderança no mundo todo, um líder forte e autoritário, um modelo a ser seguido.

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