O Revanchismo Jordaniano

por Sergio Azeredo da Silveira Jordão

            Desde o ano passado o mundo ouve falar do grupo terrorista Estado Islâmico (EI ou ISIS, sigla em inglês para Islamic State of Iraq and Syria), como ele atua, financia seus ataques, rapta seus inimigos e mata inocentes. Isso levou os EUA a liderarem uma coalizão de mais de 30 países que atacam as posições desse grupo no Iraque e na Síria e/ou enviam ajuda financeira e humanitária para a região[1]. Porém, sob fortes desaprovações, a Jordânia (que faz parte dessa coalizão) decidiu negociar unilateralmente com o ISIS, a vida de um piloto jordaniano por uma mulher-bomba iraquiana. Alguns dias depois, dia 03/02/15, ficamos mais uma vez chocados quando as negociações falharam e foram postadas imagens na Internet do piloto sendo queimado vivo. Isso levou a resposta jordaniana de iniciar novos e mais enfáticos ataques ao grupo nos dois países que eles atuam. Continuar lendo

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Após Charlie Hebdo: e agora?

por Sergio Azeredo da Silveira Jordão.

           Eu estava na França quando o atentado aconteceu. Não em Paris, mas mesmo assim pude sentir e ver um pouco da reação do povo francês. A minha amiga Thaís já falou bastante sobre o que aconteceu no seu post do dia 08 de janeiro[1], por isso, gostaria aqui de mostrar só um pouco do que eu presenciei e do que eu acho que pode acontecer.

           O nordeste e o norte de Paris são as áreas mais pobres da cidade. É também lá onde mora grande parte dos imigrantes árabes, indianos e africanos. Continuar lendo

“Republicanismo” e “Democratismo” – Percepções de um Aluno Após um Intercâmbio em DC.

por Sergio Azeredo da Silveira Jordão.

           Eu morei em Washington D.C. no semestre passado (2014.1) porque eu estava fazendo um intercâmbio. A capital norte-americana (ou “our nation’s capital,” como eles a chamam) é uma cidade muito interessante, com muita história, cultura, beleza e, principalmente, política. O principal jornal local, o The Washington Post, tem um enfoque claramente político e é um dos principais nessa área no país. Eu nunca liguei muito para o assunto de política, por isso quando lá cheguei tinha uma visão pouco clara sobre os dois principais partidos: o Republicano, ou Grand Old Party (GOP), e o Democrata. A imagem que eu tinha na minha cabeça desses dois partidos era mais ou menos:

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O Não Acordo de Anteontem entre o P5+1 e o Irã.

 por Sergio Azeredo da Silveira Jordão

          Era para eu ter escrito na semana passada, mas troquei de dia para poder escrever sobre o Acordo Nuclear Compreensivo que deveria ter sido firmado nessa última segunda (dia 24/11) entre os EUA, Reino Unido, França, Rússia, China e Alemanha (o chamado P5+1) e o Irã. Porém, como todos já devem saber, tal acordo não aconteceu, foi postergado… para daqui a sete meses… para a minha frustração. Depois de descer as escadas da minha universidade com alguns membros d’O Furor dizendo que esses negociadores estavam de brincadeira comigo, fui ver quais teriam sido os principais “pontos de tensão” entre os negociadores e percebi o quão idealista eu fui com relação a essas conversas (logo eu que me considero tão realista).

John Kerry, Philip Hammond, Sergey Lavrov, Mohammad Javad Zarif, Frank-Walter Steinmeier, Laurent Fabius, Catherine Ashton e Wang Yi.

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ISIS e as Negociações entre o P5+1 e o Irã

por Sergio Azeredo da Silveira Jordão

12345Duas semanas atrás, dia 14 de outubro, o Secretário de Estado norte-americano John Kerry, a Chefe de Política Externa da UE Catherine Ashton e o Ministro das Relações Exteriores do Irã Mohammad Javad Zarif, se reuniram em Viena para mais um rodada de negociações para se conseguir chegar ao Acordo Nuclear Compreensivo (Comprehensive Nuclear Agreement) sobre o programa nuclear iraniano. Esse acordo deveria ter sido firmado em julho, mas foi adiado para novembro porque as partes não chegaram a um consenso sobre o seu conteúdo e a sua dimensão. De acordo com o The Washington Post[1], essa reunião foi muito importante, mas muitas questões e problemas ainda precisam ser resolvidos até o deadline, 24 de novembro de 2014. Um oficial do Departamento de Estado afirmou que os EUA acreditam que tal acordo possa ser atingido até o final do ano. Continuar lendo