12 de setembro: descubra o que os muçulmanos no mundo inteiro estão comemorando apenas um dia após os 15 anos do atentado às Torres Gêmeas

por Thaís Queiroz

Você sabia que os muçulmanos do mundo inteiro estão comemorando algo hoje? Eu também não sabia. E você acha que esta comemoração tem algo a ver com os atentados de 11 de setembro, que fizeram 15 anos ontem, por conta do que você acabou de ler neste título? Eu também acharia. Mas este título é o que se costuma chamar de “desonestidade intelectual”. Uma sacanagem para confundir mentes desinformadas que o sensacionalismo das notícias hoje adora fazer com um objetivo traiçoeiro e só dá mais pano para o toldo do preconceito.

Se formos reler o título, veremos que nenhuma mentira foi contada diretamente. Os muçulmanos do mundo inteiro realmente estão comemorando algo hoje e hoje realmente faz apenas um dia do aniversário de 15 anos Continuar lendo

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O problema afeta todos nós – relatos da Palestina

por Thaís Queiroz

[Este texto foi publicado originalmente no dia 1º de março pela própria autora em sua rede social. Ela retornou da Palestina no final do mês de fevereiro de 2016]

“Hoje li esta notícia: Dois soldados israelenses se perderam usando o Waze (aplicativo que indica os melhores caminhos para chegar ao destino desejado) e acabaram entrando em um campo de refugiados perto de um dos piores e mais chatos check-points de Israel (pelo qual passei diversas vezes), Qalandia, e, quando estavam no campo, os palestinos jogaram coquetéis molotov no carro. Os dois soldados fugiram e se esconderam no campo e, para resgatá-los, uma operação militar Israelense foi acionada. Em decorrência, um palestino, estudante universitário, de 22 anos foi morto, 4 foram feridos com tiros, 12 outros foram feridos com balas de borracha e efeitos do gás lacrimogêneo e 10 soldados israelenses foram feridos, um mais gravemente e nove já liberados do atendimento hospitalar. A operação aconteceu entre as 22h e as duas e meia da manhã de hoje.

Sei que a primeira reação de alguns ao ler esta notícia seria “que horror estes terroristas jogando coquetéis molotov no carro dos soldados”. E olha o que tudo isso causou.

E compreendo esta reação: isto é o que conseguimos enxergar em nossos meios de comunicação. Os sites de internet, as notícias acessíveis a nós são estas: são pessoas que se explodem para matar outras pessoas, são pessoas que esfaqueiam outras pessoas. E tudo isso é real. Tudo isto não é inventado ou aumentado. Estas ações existem.

O que não temos, no entanto, é um “background” do que acontece “no outro lado”.  Estas notícias não chegam. Não que matar alguém seja certo quando temos uma justificativa. Nada justifica. Mas é preciso tentar entender os motivos para poder diagnosticar corretamente os sintomas.

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Os talheres de metal e o Pós-Pós-11 de Setembro

por Franco Alencastro

Às vezes, os acontecimentos mais anódinos podem provocar uma reflexão sobre o mundo que nos cerca. Foi o que aconteceu comigo da última vez que pisei num avião – mais especificamente, um voo de Lisboa para o Rio de Janeiro.

Estava assistindo “Vício Inerente” e tentando tirar algum sentido da trama sem pé nem cabeça do filme, quando a aeromoça gentilmente perguntou se gostaria de uma refeição de carne ou peixe. Porque era um voo da TAP (a companhia aérea portuguesa) escolhi o peixe, ora pois.
Minha surpresa veio junto com a bandeja. Dentro de um saco de plástico, estavam dois talheres de metal.
Talheres de metal e voos internacionais não costumam se dar bem. Se você viajou para fora em algum ponto dos últimos 14 anos, talvez tenha notado o crescente aparato de segurança cercando a maioria dos voos: Scans de corpo inteiro, revistas, tirar os sapatos…

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O Revanchismo Jordaniano

por Sergio Azeredo da Silveira Jordão

            Desde o ano passado o mundo ouve falar do grupo terrorista Estado Islâmico (EI ou ISIS, sigla em inglês para Islamic State of Iraq and Syria), como ele atua, financia seus ataques, rapta seus inimigos e mata inocentes. Isso levou os EUA a liderarem uma coalizão de mais de 30 países que atacam as posições desse grupo no Iraque e na Síria e/ou enviam ajuda financeira e humanitária para a região[1]. Porém, sob fortes desaprovações, a Jordânia (que faz parte dessa coalizão) decidiu negociar unilateralmente com o ISIS, a vida de um piloto jordaniano por uma mulher-bomba iraquiana. Alguns dias depois, dia 03/02/15, ficamos mais uma vez chocados quando as negociações falharam e foram postadas imagens na Internet do piloto sendo queimado vivo. Isso levou a resposta jordaniana de iniciar novos e mais enfáticos ataques ao grupo nos dois países que eles atuam. Continuar lendo

Após Charlie Hebdo: e agora?

por Sergio Azeredo da Silveira Jordão.

           Eu estava na França quando o atentado aconteceu. Não em Paris, mas mesmo assim pude sentir e ver um pouco da reação do povo francês. A minha amiga Thaís já falou bastante sobre o que aconteceu no seu post do dia 08 de janeiro[1], por isso, gostaria aqui de mostrar só um pouco do que eu presenciei e do que eu acho que pode acontecer.

           O nordeste e o norte de Paris são as áreas mais pobres da cidade. É também lá onde mora grande parte dos imigrantes árabes, indianos e africanos. Continuar lendo

Sobre o atentado à Charlie Hebdo e a comoção popular

por Thaís Queiroz 

Como a maioria dos que estão conectados à internet ou a qualquer canal de televisão do país já sabem, ontem, dia 7 de janeiro de 2015, 12 pessoas foram assassinadas por dois homens armados e outras onze ficaram feridas na França, mais precisamente na edição da Revista Charlie Hebdo, mundialmente famosa (segundo o que as notícias dizem, é claro, pois eu, na minha humilde ignorância, não tinha nunca ouvido falar) por seu humor baseado em sátiras religiosas e políticas. Continuar lendo

Conflito em degradê

por Carol Grinsztajn

     Já falei anteriormente que me vejo como um pontinho na complexa rede de acontecimentos no Oriente Médio. Bom, eu ia escrever sobre outros temas essa semana, mas um acontecimento específico me tirou o chão e, como um pontinho, me fez sentir desesperadamente impotente. Na terça feira passada, dois homens entraram em uma sinagoga em Jerusalém e mataram quatro rabinos e um policial druzo. Colocando esse triste atentado em seu devido contexto, ele mostra um preocupante evento em meio à escalada de tensões das relações entre israelenses e palestinos, no que muitos andam chamando de Intifada Silenciosa (e outros, apenas de 3a Intifada). Existem muitos especialistas por aí muito melhor qualificados do que eu pra explicar todo esse contexto. Quero abordar aqui uma face de acontecimentos como esse que quase sempre é citada, mas pouquíssimas vezes recebe muita atenção (ou cuidado): a “questão” religiosa. Continuar lendo