12 de setembro: descubra o que os muçulmanos no mundo inteiro estão comemorando apenas um dia após os 15 anos do atentado às Torres Gêmeas

por Thaís Queiroz

Você sabia que os muçulmanos do mundo inteiro estão comemorando algo hoje? Eu também não sabia. E você acha que esta comemoração tem algo a ver com os atentados de 11 de setembro, que fizeram 15 anos ontem, por conta do que você acabou de ler neste título? Eu também acharia. Mas este título é o que se costuma chamar de “desonestidade intelectual”. Uma sacanagem para confundir mentes desinformadas que o sensacionalismo das notícias hoje adora fazer com um objetivo traiçoeiro e só dá mais pano para o toldo do preconceito.

Se formos reler o título, veremos que nenhuma mentira foi contada diretamente. Os muçulmanos do mundo inteiro realmente estão comemorando algo hoje e hoje realmente faz apenas um dia do aniversário de 15 anos Continuar lendo

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Furor indica: “Queridos misóginos americanos: A opressão das mulheres afegãs não existe para o seu benefício”

por Thaís Queiroz

Nesta semana, para nos ajudar a (des)entender as relações internacionais, gostaríamos de compartilhar com vocês um artigo publicado no fim do ano passado pela ativista afegã Noorjahan Akbar*, intitulado “Queridos misóginos americanos: A opressão das mulheres afegãs não existe para o seu benefício”.

Nele, a autora denuncia como homens dos Estados Unidos frequentemente desqualificam feministas estadunidenses com o discurso de “vá ser feminista no Oriente Médio! Lá elas sofrem muito mais. É a opressão delas que considero opressão. Essa sim deve ser combatida” e assim por diante. No caso, ela fala de estadunidenses e de afegãs, pois são os locais de onde ela fala e de onde ela vem. Mas esta analogia aplica-se a muitas outras relações, principalmente entre pessoas de países “ocidentais” e países “orientais”.

O texto foi traduzido por Vanessa Ribeiro e foi originalmente postado em português pelo blog Não me Kahlo.  Vamos a ele:

Queridos misóginos americanos: A opressão das mulheres afegãs não existe para o seu benefício
(Dear American misogynists: Afghan women are not oppressed for you)

Hoje [10 de dezembro de 2015] é o último dia dos 16 Dias de Ativismo contra violência de gênero. Todo ano, ler os depoimentos poderosos de mulheres que superaram essa forma tão comum de violência me inspira e me lembra do quão importante é a desigualdade global.

 Nos últimos seis anos, eu tenho tido o privilégio de falar em universidades americanas e escolas particulares sobre minha experiência trabalhando e escrevendo sobre direitos humanos na minha terra natal, o Afeganistão.  Uma das reações mais comuns que americanos têm para meus discursos e meus artigos é a invalidação da defesa dos direitos das mulheres nos Estados Unidos comparando as atrocidades que mulheres enfrentam no Afeganistão com as opressões “menos importantes” e “exageradas” que feministas estão lutando em seu próprio país. 

 A marginalização de mulheres afegãs é usada como uma ferramenta para diminuir a percepção do quão injusto é o status quo que eles têm em casa.  Esses homens, e às vezes mulheres, me contam o quanto estão decepcionados com feministas americanas por estarem “reclamando de cantadas que levam nas ruas enquanto mulheres estão sendo massacradas por homens afegãos.”

 Essa é uma reação daqueles que fingem simpatizar com mulheres afegãs – e por extensão também muçulmanas e mulheres do oriente médio em geral – enquanto atacam ativistas dos direitos das mulheres em seu próprio quintal. Continuar lendo

O problema afeta todos nós – relatos da Palestina

por Thaís Queiroz

[Este texto foi publicado originalmente no dia 1º de março pela própria autora em sua rede social. Ela retornou da Palestina no final do mês de fevereiro de 2016]

“Hoje li esta notícia: Dois soldados israelenses se perderam usando o Waze (aplicativo que indica os melhores caminhos para chegar ao destino desejado) e acabaram entrando em um campo de refugiados perto de um dos piores e mais chatos check-points de Israel (pelo qual passei diversas vezes), Qalandia, e, quando estavam no campo, os palestinos jogaram coquetéis molotov no carro. Os dois soldados fugiram e se esconderam no campo e, para resgatá-los, uma operação militar Israelense foi acionada. Em decorrência, um palestino, estudante universitário, de 22 anos foi morto, 4 foram feridos com tiros, 12 outros foram feridos com balas de borracha e efeitos do gás lacrimogêneo e 10 soldados israelenses foram feridos, um mais gravemente e nove já liberados do atendimento hospitalar. A operação aconteceu entre as 22h e as duas e meia da manhã de hoje.

Sei que a primeira reação de alguns ao ler esta notícia seria “que horror estes terroristas jogando coquetéis molotov no carro dos soldados”. E olha o que tudo isso causou.

E compreendo esta reação: isto é o que conseguimos enxergar em nossos meios de comunicação. Os sites de internet, as notícias acessíveis a nós são estas: são pessoas que se explodem para matar outras pessoas, são pessoas que esfaqueiam outras pessoas. E tudo isso é real. Tudo isto não é inventado ou aumentado. Estas ações existem.

O que não temos, no entanto, é um “background” do que acontece “no outro lado”.  Estas notícias não chegam. Não que matar alguém seja certo quando temos uma justificativa. Nada justifica. Mas é preciso tentar entender os motivos para poder diagnosticar corretamente os sintomas.

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O que descobri sobre o significado de possuir dois passaportes.

por Thaís Queiroz

Devo dizer que não são tão poucas as pessoas que conheço por aqui que têm dois passaportes: normalmente o seu brasileiro e um outro que geralmente é europeu, seja ele português, alemão, francês, italiano etc. Isto acontece porque estas pessoas têm o que chamamos de dupla nacionalidade, ou seja, às vezes um dos pais tem outra nacionalidade ou a criança nasceu em outro país… São muitos os casos. E no fim das contas, pelo que até hoje percebi, ter um passaporte europeu é muito legal. Eu mesma já desejei em algum momento da minha vida ter mais um passaporte. Ia facilitar tanta coisa que quero fazer…

Entretanto, o que eu nunca havia percebido, até três semanas atrás, quando vim aqui para o outro lado do mundo, é que existem situações em que dois passaportes podem ter um significado completamente desalinhado do que o que eu estava acostumada. Esta descoberta foi feita em uma conversa com um amigo palestino.  Eu conheci este meu amigo em Continuar lendo

A gente pensa na guerra, a gente esquece da grana

por Thaís Queiroz

Guerra. Guerra mata. Guerra causa sofrimento. Muito sofrimento. Temos horror à guerra. Terrorismo, medo, violência, tortura, mortes. Já havia horrores nas “antigas” guerras, aquelas que estudamos na escola, por conquista de territórios, que faziam “aquela gente que não tem nada a ver com a história” sofrer. Ou seja, os “civis”, aqueles que não eram os soldados. Mas as guerras hoje, como estudamos e questionamos nas Relações Internacionais,  não mobilizam mais exércitos nacionais da mesma maneira que antigamente e nem tão pouco concentram o número de mortos entre aqueles que se dispuseram a pegar em armas e ir para o campo de batalha. Hoje, quem mais sofre com a guerra são pessoas que “não têm nada a ver” com isso. Continuar lendo

Furor indica

por Thaís Queiroz.

Hoje O Furor indica este vídeo que muito nos diz em seus 22min sobre o internacional hoje e os seres humanos que o constituem e vale ser assistido até o fim. Você sabe quem é Monica Lewinsky? A “estagiária da Casa Branca que ficou conhecida pelo escândalo de seu caso com o presidente dos Estados Unidos da América” é uma mulher forte que tomou uma atitude corajosa ao apresentar esta “TED talk”, na qual nos fala muito mais do que sobre erros: vale a pena conferir o que ela tem a nos dizer:

Comente com o que você também tem a nos dizer sobre o assunto. Vamos refletir e problematizar!

#todoconhecimentoseráproblematizado

A loteria da barriga no Sistema Internacional

por Thaís Queiroz

 

O que motiva o post de hoje é uma conversa que ouvi (pasme) dentro do banheiro de um aeroporto.      A conversa aconteceu entre um grupo de meninas que aparentava ter entre 17 e 20 anos de idade e o trecho que me chamou a atenção é algo mais ou menos assim:

– A fulana está ansiosa para abrirem as inscrições.
– Sim, preciso correr pra ser Estados Unidos
– Hahaha Todos querem ser Estados Unidos em um comitê bom como esse.
– Mas o comitê é tão bom que o que importa é participar. Qualquer coisa você pega uma Palestina ou qualquer coisa assim, que o que importa é estar nesse comitê.
– Ah, sim, com certeza qualquer coisa eu pego uma Palestina, mas é que eu queria muito ter poder de veto, sabe? Aí a gente tem que correr pra conseguir pegar esses grandes. Continuar lendo

Saber o que escrever, não saber o que escrever, “será que as pessoas se importam?” e política internacional

por Thaís Queiroz

Ufa! Que título grande. Mas é isso aí: temos um blog sobre Relações Internacionais, cada um escreve em um dia, chegou sua vez de novo. Sobre o que escrever?

Semana passada o período ensandecido de provas terminou e com isso o cérebro pôde descansar e voltar a pensar de maneira mais arejada. Com os ventos que sopram do sul (mesmo aqui não sendo Florianópolis – risos), refleti um pouco sobre “o que estou fazendo da vida”, o que consequentemente me levou a pensar “o que estou fazendo da vida com essa tal de RI”.

“AI SOCORRO!! O MUNDO TEM PROBLEMA DEMAIS, AS PESSOAS SE MATAM, TODO MUNDO SE ODEIA, CADÊ O AMOR?! SOCORRO, NÃO QUERO MAIS! PARA O MUNDO QUE EU QUERO DESCER, POR FAVOR!” – Foi mais ou menos isso que o meu cérebro gritou Continuar lendo

Perdida nas manifestações insanas

por Thaís Queiroz

Eu sei. Eu sei que o bom senso sumiu faz tempo. Aliás! Que há lugares em que ele nunca existiu. O problema é que às vezes eu me esqueço disso. Ou então que sou ingênua demais para compreender, com tão pouca idade e experiências, os gênios do pensamento político que povoam as esferas privilegiadas do Brasil. Porque sinceramente estou perdida. Minha repetida reação é a incredulidade.

Refiro-me às manifestações verbais escritas em redes sociais (mais especificamente Facebook e tumblrs) e páginas da internet sobre política e sociedade (incluindo jornais, agências de notícias e blogs) a respeito das passeatas de 15 de março e 12 de abril realizadas em múltiplas cidades do Brasil. Continuar lendo

Pessoas

por Thaís Queiroz

Se há uma coisa que aprendi,
em quatro anos de estudos de relações internacionais,
é que basilarmente tudo se trata de pessoas. E sentimentos.

E desta forma,
mesmo sem saber para onde ou como seguir,
termino esta canção.

Mas apenas esta.
Pois simplesmente pressinto que muitas mais virão.
E o que não faltará será amor, no coração.

(Porque no mundo está difícil)